Após milhares de prisões de vândalos e cidades tomadas pela violência, governo promete reforçar a segurança e convoca até militares. A crise expõe o preço das falhas de prevenção e reacende o debate sobre a política de segurança francesa
A França viu o caos tomar as ruas e agora promete uma resposta à altura. Depois de um fim de semana marcado por saques, incêndios e confrontos violentos, o governo anunciou uma presença policial “massiva” nas manifestações previstas para o próximo sábado (24). A operação poderá contar também com o apoio de militares para liberar policiais e gendarmes para o trabalho de manutenção da ordem.
A mudança de postura ocorre depois de uma crise que expôs as fragilidades da segurança pública francesa. Segundo a CNN Brasil, mais de 2 mil vândalos foram detidos durante os distúrbios, que deixaram mortos, feridos e um rastro de destruição em diferentes cidades do país. Em Limoges, um incêndio destruiu parte de um prédio histórico da prefeitura.
O primeiro-ministro Sébastien Lecornu reconheceu que a resposta das autoridades ficou aquém do necessário e prometeu uma mobilização reforçada. O governo também admitiu falhas dos serviços de inteligência, que não conseguiram antecipar a dimensão da violência.
A conta da tolerância com o caos
O episódio levanta uma questão incômoda para a política francesa: de que adianta anunciar grandes operações policiais depois que lojas foram saqueadas, prédios incendiados e moradores ficaram assustados com a violência nas ruas?
A crise também alimenta críticas a um modelo político que, na avaliação de seus opositores, demorou a reagir à deterioração da ordem pública. Após anos de governos marcados pelo discurso progressista e pelo enfrentamento de conflitos sociais, a França se vê diante de uma necessidade imediata: garantir que o direito de protestar não se transforme em licença para destruir.
É importante separar as coisas: manifestações pacíficas e reivindicações sociais não são sinônimo de vandalismo. O problema é quando grupos violentos se aproveitam dos protestos para atacar o patrimônio, enfrentar as forças de segurança e espalhar o medo.
Polícia reforçada, militares nas ruas e toque de recolher
Além da mobilização policial anunciada para sábado, autoridades francesas adotaram toques de recolher localizados nas áreas mais afetadas. O governo também mobilizou a força militar Sentinelle para apoiar a operação de segurança.
A dimensão da resposta revela a pressão sobre o governo do presidente Emmanuel Macron, que enfrenta uma crise política a poucos meses da eleição presidencial. A oposição cobra explicações para a falha na prevenção dos distúrbios, enquanto o Executivo tenta recuperar o controle das ruas.
A lição é clara: o Estado não pode aparecer apenas depois da destruição.
