CCJ da Alerj aprova proposta para classificar CV e PCC como organizações terroristas

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A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) deu parecer favorável ao projeto de lei que propõe classificar o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas no estado. A proposta, de número 7.774/26, é de autoria dos deputados Anderson Moraes, Alexandre Knoploch, Filippe Poubel e Renan Jordy, todos do PL.

A votação foi marcada por divergências sobre a constitucionalidade da medida. O deputado Luiz Paulo (PSD) questionou se o Legislativo estadual tem competência para estabelecer essa classificação, já que a Constituição Federal reserva à União a atribuição de legislar sobre direito penal e processual penal.

Luiz Paulo chegou a pedir mais tempo para analisar o projeto, mas desistiu de adiar a votação após ouvir os argumentos do presidente da comissão, Rodrigo Amorim (PL). O parlamentar defendeu que a proposta trata de segurança pública, área em que os estados também têm responsabilidades.

 

Autores defendem proposta

Um dos autores do projeto, Alexandre Knoploch afirmou que a iniciativa não pretende alterar o Código Penal nem criar novos crimes ou penas. Segundo ele, o objetivo é reconhecer a atuação das facções como terrorista no território fluminense.

Knoploch também argumentou que as práticas atribuídas aos grupos criminosos justificam uma resposta mais rigorosa do poder público. Para o deputado, a proposta não interfere diretamente nas competências do Congresso Nacional.

Já Luiz Paulo alertou para possíveis problemas jurídicos caso a classificação seja aplicada apenas no Rio de Janeiro, sem o mesmo entendimento em estados vizinhos, como São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo. Ele sugeriu que o texto faça referência expressa às leis federais que tratam do terrorismo e das organizações criminosas.

 

Deputados citam violência no estado

O deputado Marcelo Dino (PL) também defendeu a iniciativa e afirmou que moradores de comunidades convivem com ameaças e restrições provocadas pela atuação de grupos criminosos. Segundo ele, a população enfrenta situações de medo no cotidiano, inclusive ao sair de casa para trabalhar ou levar os filhos à escola.

Dino criticou a legislação brasileira sobre terrorismo e defendeu medidas mais rigorosas contra as facções. Ele também manifestou interesse em incluir seu nome entre os autores do projeto quando a proposta chegar ao plenário.

 

Projeto ainda precisa avançar

A aprovação do parecer na CCJ não significa que a proposta já virou lei. O projeto ainda precisa seguir as demais etapas de tramitação na Alerj.

O debate envolve a Lei Antiterrorismo, de número 13.260/2016, e a Lei de Organizações Criminosas, de número 12.850/2013. A principal questão é saber até que ponto o estado pode estabelecer esse tipo de classificação sem invadir a competência legislativa da União.



Com informações da fonte
https://mancheterio.com.br/ccj-da-alerj-aprova-proposta-para-classificar-cv-e-pcc-como-organizacoes-terroristas/

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