A Prefeitura de Belford Roxo, na Baixada Fluminense, repassou R$ 28,9 milhões a cinco empresas citadas em investigações da Polícia Federal (PF) sobre suspeitas de lavagem de dinheiro ligada ao crime organizado. Desse total, R$ 25,1 milhões foram pagos durante a gestão do ex-prefeito Márcio Canella (União Brasil), preso em outubro na Operação Unha e Carne.
Segundo informações divulgadas pela coluna de Malu Gaspar, do jornal O Globo, as empresas possuem ligações com pessoas investigadas por suposto envolvimento em esquemas criminosos. Entre elas estão duas empresas ligadas ao empresário Márcio Samary Machado, conhecido como “Márcio Nit”, apontado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) como operador e intermediário financeiro do esquema investigado.
As empresas ECO 805, fornecedora de materiais escolares, e Elite Turística, responsável pelo transporte escolar do município, receberam juntas cerca de R$ 18,1 milhões. Márcio Nit também é investigado por supostas ligações com o policial civil Pablo Jukiá Felix Ferreira, conhecido como “Pablo Russo”, que administra mais de 20 postos de combustíveis e também foi preso na operação.
Outras três empresas aparecem entre as beneficiadas pelos pagamentos: FAB Mix Concretos, que recebeu R$ 7,16 milhões para a construção de uma escola; D A G G Tavares Projetos, com R$ 2,31 milhões para a reforma da Vila Olímpica; e Opção Ativa, que recebeu R$ 1,34 milhão por serviços de reboque.
De acordo com as investigações, Canella é apontado como “patrono político” e “articulador de alto escalão” da suposta organização criminosa. A PF investiga a possível participação do ex-prefeito em um esquema de lavagem de dinheiro envolvendo postos de combustíveis.
Os repasses também ocorreram após a saída de Canella da prefeitura, em abril deste ano. Pelo menos R$ 3,8 milhões foram pagos durante a administração de Mariana Canella (União Brasil), que assumiu o município após a renúncia do então prefeito para disputar as eleições.
Canella chegou a anunciar a intenção de concorrer ao Senado, mas desistiu da disputa após ser preso em flagrante por porte de fuzil, em julho. Posteriormente, concorreu a deputado estadual e foi eleito. Após o primeiro turno, voltou a ser preso pela Polícia Federal.
As suspeitas investigadas não significam, por si só, que todos os contratos ou pagamentos tenham sido considerados irregulares.
Com informações de Malu Gaspar, do jornal O Globo.
