Cerca de 360 policiais civis e militares participam, na manhã desta sexta-feira, de uma operação contra uma organização criminosa envolvida em roubos, adulteração e comercialização de veículos de origem ilícita, em Realengo, na Zona Oeste do Rio. A investigação também revelou indícios de envolvimento da organização criminosa com o tráfico clandestino de armas. A ação, realizada na comunidade Jardim Novo, tem como objetivo cumprir oito mandados de prisão preventiva. As equipes contam com o apoio de dois veículos blindados.
Batizada de Operação Sinal Oculto, a ofensiva é conduzida pela Delegacia de Roubos e Furtos de Automóveis (DRFA), com apoio do Batalhão de Polícia de Choque (BPChq). Esta é a segunda fase da investigação, que identificou uma estrutura criminosa responsável por roubar veículos, adulterar seus sinais identificadores e revendê-los como se fossem legais.
As investigações começaram após policiais identificarem perfis em redes sociais que anunciavam carros de alto valor por preços muito abaixo dos praticados no mercado. A partir das apurações, os agentes descobriram que o grupo pesquisava veículos regulares e utilizava seus dados identificadores para adulterar automóveis roubados. Depois, os carros eram anunciados na internet para atrair compradores.
Segundo os investigadores, a organização também recebia encomendas de modelos específicos de veículos, o que indica uma possível ligação entre a demanda do mercado clandestino e a prática de roubos de automóveis.
Investigação também identificou negociações de armas
O aprofundamento das apurações revelou indícios de que a atuação do grupo não se restringia ao comércio ilegal de veículos. A análise de materiais eletrônicos e registros de comunicação identificou possíveis conexões de integrantes da organização com o tráfico clandestino de armas.
Ao todo, os investigadores analisaram 19.777 mensagens e 2.324 áudios. No material, foram encontradas referências a negociações de fuzis AK-47, armamentos de calibre .50 e pistolas de uso restrito. Também foram identificados registros de investigados portando armas de grosso calibre.
A primeira fase da Operação Sinal Oculto ocorreu em 27 de agosto, quando policiais civis cumpriram 37 mandados de busca e apreensão e prenderam um homem apontado como um dos principais integrantes do esquema.
Na ocasião, durante a ação na comunidade Jardim Novo, criminosos atacaram as equipes policiais a tiros. Um policial civil foi atingido no rosto por um disparo que transfixou a face. Ele sofreu ferimentos graves.
A nova etapa da operação busca desarticular a organização criminosa e aprofundar as investigações sobre as conexões entre roubos de veículos, adulteração de identificadores, comercialização ilegal de automóveis pela internet e tráfico de armas. As investigações continuam para identificar outros possíveis envolvidos.
