Moradores do Rio Comprido estão convivendo com restrições no seu ir e vir impostas pelo tráfico de drogas. Segundo denúncias, barricadas erguidas em algumas ruas impedem a livre circulação de pedestres e veículos e até o fluxo de funcionários a serviço do poder público. As estruturas são utilizadas pelos criminosos como mecanismo de defesa contra operações policiais e invasões de grupos rivais.
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Entre as vias impactadas está a Rua Azevedo Lima. Um bloqueio foi instalado na altura do número 108, no início da ladeira que contorna o Morro de São Carlos e liga a Rua Itapiru ao centro do bairro. Um morador dos arredores contou ao GLOBO que o ponto de bloqueio conta com uma estrutura conhecida como casinha azul, utilizada há décadas como base por facções criminosas. O local, apelidado de “guarita do tráfico”, serve como controle de acesso à continuação da rua, que leva aos morros de São Carlos e do Querosene, ambos dominados pelo Terceiro Comando Puro (TCP).
Monitorada por criminosos armados, a passagem pela via depende de autorização. Na página Rio Comprido Urgente, no Instagram, um homem diz ter sido “enquadrado na barricada pelos caras da boca que ficam na casinha azul. Então outra pessoa responde fazendo um alerta: “tem algumas ocasiões que os bandidos fazem blitzes antes mesmo das barricadas”.
De acordo com os relatos, as estruturas foram erguidas durante a pandemia de Covid-19, e, desde então, até serviços essenciais são afetados: “A Comlurb tem que pedir para entrar”, afirmou um internauta.
Sob anonimato, outro morador confirmou que os bloqueios foram instalados entre 2020 e 2021 e tornaram-se permanentes.
Via parcialmente dominada
No início da Rua Azevedo Lima, na esquina com a Rua Itapiru no Rio Comprido, linhas de ônibus passam pelo local para ir do Centro à Zona Sul, como a 426 (Usina x Jardim de Alah) . No entanto, a poucos metros dali, a partir da esquina com a Rua Campos da Paz, o tráfico passa a exercer o controle sobre a circulação da via, diz um morador dos arredores.
– Ali bandidos circulam de moto armados o dia inteiro, às vezes fecham até o trânsito. Acho que o tráfico só não exerce controle total na rua por causa da passagem desses ônibus e o trânsito no início – relata.
Além da colocação de barricadas, o avanço do tráfico na região impacta o serviço de internet. Traficantes já retiraram cabos de internet de duas operadoras da rua, diz um morador.
– Eles (os traficantes) tem empresa própria de internet, e vendem o serviço deles como única opção para os moradores – denuncia um dos moradores que confirmaram o bloqueio ao Globo.
No início da Rua Azevedo Lima, na esquina com a Rua Itapiru, há tráfego intenso de linhas de ônibus que ligam o Centro à Zona Sul, como a 426 (Usina x Jardim de Alah). No entanto, o cenário muda a poucos metros dali, na altura da Rua Campos da Paz, onde o tráfico assume o controle da via.
— Ali, bandidos circulam de moto armados o dia inteiro e, em certas ocasiões, chegam a fechar o trânsito. Na minha opinião, o tráfico só não domina a rua inteira por causa desse fluxo de ônibus no início — relata um morador.
Além dos bloqueios através das barricadas, os criminosos impõem um monopólio de serviços. De acordo com denúncias, operadoras como Claro e Vivo são impedidos de atuar, e cabos de rede foram cortados para forçar a adesão ao serviço oferecido pela facção.
— Eles têm empresa própria de internet e vendem o serviço deles como única opção para os moradores — denuncia a mesma pessoa.
Procurados para comentar a situação na Rua Azevedo Lima, o Governo do Estado e a Polícia Militar não responderam até a publicação desta reportagem. A Comlurb também foi procurada, para comentar a informação de que seus garis dependeriam de autorização dos criminosos para atuar após a barricada da Rua Azevedo Lima.
O Governo do Estado lançou em novembro passado a Operação Barricada Zero, uma força-tarefa que reúne as polícias Civil e Militar e secretarias estaduais e municipais com o objetivo de retomar controle de áreas bloqueadas por por facções criminosas. Segundo balanço divulgado pelo governo no último dia 6, a operação já removeu 6,6 toneladas de materiais utilizados como bloqueios em todo o estado.

