Advogado de vítima de estupro coletivo denuncia agressão verbal de ex-subsecretário, pai de acusado do crime, e avalia ir à Justiça: ‘Coação’

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José Carlos Simonin, ex-subsecretário estadual de Governança, Compliance e Gestão Administrativa do governo Cláudio Castro — Foto: Reprodução


Rodrigo Mondego, advogado da vítima de um estupro coletivo em Copacabana no dia 31 de janeiro, foi às redes sociais denunciar agressões verbais de José Carlos Simonin, ex-subsecretário estadual de Governança, Compliance e Gestão Administrativa do governo Cláudio Castro. Ao GLOBO, Mondego diz avaliar entrar com uma representação contra Simonin, após dar suporte à estudante que defende. Mondego associou a ação do pai de Vitor Hugo Oliveira Simonin, de 18 anos, ao crime previsto no Art. 344 do Código Penal, que trata de violência “contra autoridade, parte, testemunha, perito ou intérprete, com o fim de favorecer interesse próprio ou alheio em processo judicial, policial, administrativo ou de arbitragem”.

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— Nossa prioridade máxima, inclusive nesta segunda pela manhã, é tentar dar todo suporte à vítima no atendimento psicossocial. Temos reuniões marcadas com alguns órgãos para prestar apoio a ela e à família, vítima indireta desse crime que ela sofreu. O que o ex-subsecretário cometeu pode ser encarado como coação no curso do processo. Ele é pai do acusado e está tentando instigar o advogado da vítima. Nesse momento, a prioridade é o acolhimento da vítima e a responsabilização dos agentes do crime, mas conversarei com colegas para talvez entrar com esta representação — disse Mondego, em entrevista por telefone.

Via Instagram, segundo mostra imagem compartilhada por Mondego, José Simonin teria escrito em sua janela de mensagens privada: “Você também está querendo cinco minutos de fama. Vai trabalhar para pagar ‘às’ (sic) suas contas, vagabundo”.

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Em seguida, Mondego teria respondido: “Caro ex-subsecretário, vagabundo não sou, sou sim advogado e trabalho bastante. Inclusive, para que o vagabundo do seu filho continue enjaulado, responder na Justiça pelo estupro que lhe é imputado. Cada um ocupa o lugar que escolheu, eu ao lado da vítima e o senhor, passando a mão na cabeça de estuprador. A Justiça seguirá fazendo o resto”.

Vitor Hugo Simonin, acusado de estupro coletivo de uma adolescente, na 12ª DP, em Copacabana — Foto: Lívia Nani / Agência O Globo

Imagens analisadas pela polícia mostram o menor acusado de estupro “comemorando” com amigos após crime em Copacabana. Um relatório da 12ª DP descreve ação no corredor do prédio após a saída da vítima do apartamento em que estavam. Ao concluir a investigação, a 12ª DP (Copacabana) indiciou Bruno Felipe dos Santos Allegretti, Vitor Hugo Oliveira Simonin, Mattheus Veríssimo Zoel Martins e João Gabriel Xavier Bertho por estupro qualificado cometido em concurso de pessoas.

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De acordo com o documento, as gravações captam a movimentação no corredor do sexto andar entre 19h24 e 20h42 do dia 31 de janeiro de 2026. As imagens mostram a chegada ao apartamento dos quatro jovens posteriormente indiciados, seguida da chegada da adolescente e do menor que a teria convidado ao local.

Menor investigado como mentor do estupro coletivo contra uma adolescente de 17 anos em Copacabana durante a chegada ao apartamento em que o crime ocorreu, em 31 de janeiro — Foto: Reprodução de câmera de segurança
Menor investigado como mentor do estupro coletivo contra uma adolescente de 17 anos em Copacabana durante a chegada ao apartamento em que o crime ocorreu, em 31 de janeiro — Foto: Reprodução de câmera de segurança

Segundo o relatório, após o período em que permaneceram no interior do imóvel, a jovem deixa o apartamento acompanhada do adolescente. Em seguida, as imagens registram o momento em que ela se dirige ao elevador. O inquérito descreve que, após a adolescente sair do campo de visão do corredor, o menor retorna ao interior do apartamento. Logo após, ele volta a aparecer nas imagens realizando gestos que, segundo a autoridade policial, aparentam ser de “comemoração”. O relatório também menciona que, em seguida, ele sai do apartamento sorridente.

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Exonerado no dia 3 de março

José Carlos Simonin, subsecretário de Governança, Compliance e Gestão da Secretaria de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos do Rio, foi exonerado do cargo no governo Cláudio Castro no dia 3 de março. A ação foi anunciada pela própria pasta. O servidor é pai de Vitor Hugo Oliveira Simonin, de 18 anos, um dos acusados de participar do estupro coletivo de uma jovem de 17 anos, em Copacabana, na Zona Sul do Rio, no dia 31 de janeiro.

O pedido foi feito pela própria secretária Rosangela Gomes e já foi encaminhado ao secretário da Casa Civil, Nicola Miccione. A expectativa é que a exoneração seja publicada no Diário Oficial do Rio nesta quarta-feira.



Com informações da fonte
https://oglobo.globo.com/rio/noticia/2026/03/09/advogado-de-vitima-de-estupro-coletivo-denuncia-agressao-verbal-de-ex-subsecretario-pai-de-acusado-do-crime-e-avalia-ir-a-justica.ghtml

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