Aborto ou assassinato? Chile pode obrigar mulheres a ouvir coração do feto antes de procedimento

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O debate sobre quando começa a vida e quais devem ser os limites do aborto legal voltou a ganhar força no Chile. Um projeto de lei apresentado por parlamentares da direita pode obrigar mulheres que pretendem interromper uma gravidez nos casos permitidos pela legislação a ouvir os batimentos cardíacos do feto antes da realização do procedimento.

Batizada de “Escute o seu coração”, a proposta altera o Código de Saúde chileno e determina que médicos apresentem à paciente a atividade cardíaca embrionária como parte do atendimento. O texto prevê que a mulher poderá se recusar a ouvir os batimentos, mas, nesse caso, o profissional de saúde também deverá se recusar a realizar o aborto.

A iniciativa ainda está no início da tramitação no Congresso, mas já provocou forte repercussão e reacendeu um dos temas mais sensíveis da política chilena: o debate sobre quando começa a vida e quais devem ser os limites do aborto legal.

Aborto é permitido em apenas três casos

Assim como ocorre no Brasil, o aborto no Chile continua sendo permitido apenas em três situações: quando a gravidez coloca em risco a vida da gestante, quando é resultado de estupro ou quando o feto apresenta uma condição incompatível com a vida fora do útero.

Os autores do projeto afirmam que a proposta busca fortalecer o chamado consentimento informado e levar a gestante a conhecer todas as informações médicas antes de tomar uma decisão. Segundo eles, ouvir os batimentos cardíacos do feto pode ajudar a tornar essa escolha mais consciente, especialmente nos casos de gravidez decorrente de violência sexual.

O projeto foi apresentado por seis deputados: cinco pertencentes ao Partido Nacional Libertário (PNL) e ao Partido Republicano (PR), ambos de direita, além de um parlamentar da Renovação Nacional (RN), legenda de centro-direita.

Fato clínico objetivo

Autor da proposta, o deputado Cristóbal Urruticoechea afirma que a atividade cardíaca embrionária é um dado médico relevante e deve fazer parte das informações oferecidas à paciente.

Na justificativa do projeto, os parlamentares afirmam que “a existência de atividade cardíaca constitui um fato clínico objetivo e verificável” e que sua apresentação reforça a qualidade do consentimento informado antes da interrupção da gravidez.

Medida já existe em outros países

A proposta chilena segue iniciativas semelhantes adotadas em outros países.

Em 2022, a Hungria passou a exigir que mulheres tenham acesso aos sinais vitais do feto antes da realização do aborto. Nos Estados Unidos, estados como Texas, Kentucky, Arizona, Geórgia e Mississippi também aprovaram legislações semelhantes.

No Brasil, uma proposta parecida foi apresentada em 2023 pelo então vereador Carlos Bolsonaro (PL), na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, mas não avançou.

 



Com informações da fonte
https://coisasdapolitica.com/mundo/17/07/2026/aborto-ou-assassinato-chile-pode-obrigar-mulheres-a-ouvir-coracao-do-feto-antes-de-procedimento

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