O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais, divulgado no domingo (25), publicou nesta quarta-feira (28) diferentes versões de uma carta em que questiona o resultado das urnas e acusa, sem apresentar provas, a existência de fraude eleitoral. Na primeira versão, o parlamentar se autodeclarou o “verdadeiro presidente eleito do Brasil”. Pouco depois, alterou o texto e passou a se apresentar como “líder do Brasil”.
A divulgação do documento ocorreu horas depois de Flávio desembarcar em Miami, na Flórida, nos Estados Unidos, acompanhado da mulher e das duas filhas. O senador deixou o Brasil na noite de terça-feira (27), cruzou a fronteira com a Argentina e embarcou em um avião particular. A aeronave fez uma escala em Guayaquil, no Equador, antes de seguir para o território americano.
Na carta, o parlamentar agradeceu aos presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da Argentina, Javier Milei, pelo acolhimento. Também anunciou que pretende comandar a oposição ao governo Lula a partir do exterior e prometeu apresentar, nos próximos dias, uma estratégia de mobilização de seus apoiadores.
Na primeira versão do documento, Flávio afirmou que era o presidente eleito e acusou adversários políticos de terem roubado a eleição. Em seguida, substituiu as referências à Presidência pela expressão “líder do Brasil”. As alterações ocorreram em meio à repercussão do manifesto, que teve outras versões divulgadas por aliados do senador.
O texto também questiona o horário de encerramento da votação em algumas localidades e acusa o governo Lula de abuso de poder político e econômico durante a campanha. Flávio defende a cassação da chapa adversária, mas não apresenta evidências que comprovem as alegações de fraude.
O resultado oficial do segundo turno confirmou a vitória de Lula, com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio Bolsonaro. A diferença foi de aproximadamente 4,4 milhões de votos.
Senador nega que tenha fugido do Brasil
Ao justificar a saída do país, Flávio afirmou que não pretendia deixar o Brasil, mas alegou temer medidas judiciais, como a apreensão de passaportes, o uso de tornozeleira eletrônica, a prisão domiciliar e uma eventual condenação.
“Não era minha intenção deixar minha pátria, mas eu sei exatamente onde isso vai dar”, declarou no documento.
O senador, entretanto, reconheceu que não havia mandado de prisão expedido contra ele no momento da saída do país. A viagem ocorreu em meio a desdobramentos judiciais que envolviam seus documentos de viagem. Segundo informações divulgadas pela imprensa, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), havia determinado a entrega dos passaportes brasileiros.
A decisão de deixar o país e a divulgação da carta ampliaram a repercussão política da derrota eleitoral. Enquanto Flávio afirma que pretende continuar atuando politicamente dos Estados Unidos, integrantes de seu próprio campo político demonstraram reservas em relação às acusações de fraude.
O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha presidencial, declarou que não poderia afirmar que houve fraude eleitoral por falta de provas. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), também defendeu o respeito ao resultado das urnas.
Até o momento das informações divulgadas na quarta-feira, Flávio não havia apresentado provas que sustentassem as acusações de fraude. Mesmo após alterar o conteúdo da carta, manteve os questionamentos ao processo eleitoral e reafirmou a intenção de liderar a oposição ao governo petista a partir dos Estados Unidos.
