Russell Brand diz à polícia que tinha ‘vida promíscua’, mas que relações sexuais eram consensuais

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Comediante e ator britânico Russell Brand deixa o Tribunal da Coroa de Southwark, no sul de Londres, em 19 de outubro de 2026 — Foto: HENRY NICHOLLS / AFP


O ator e humorista britânico Russell Brand afirmou à polícia que nunca manteve relações sexuais sem consentimento e alegou que encontros consensuais de seu passado foram reinterpretados de forma desfavorável décadas depois. As declarações foram apresentadas nesta terça-feira durante o julgamento do artista no Tribunal da Coroa de Southwark, em Londres, onde ele responde a acusações de crimes sexuais contra seis mulheres entre 1999 e 2009.

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Aos 51 anos, Brand é acusado de três estupros, três agressões sexuais e tentativa de atentado ao pudor. Ele nega todas as acusações. Nesta terça-feira, uma das acusações de atentado ao pudor foi substituída por uma de tentativa do mesmo crime, após o juiz considerar insuficientes as provas para sustentar a denúncia original.

Durante a audiência, os jurados ouviram declarações preparadas pelo artista para quatro entrevistas com a polícia, realizadas entre novembro de 2023 e julho de 2025. Nos depoimentos, Brand atribuiu as acusações a reportagens que classificou como difamatórias e fictícias.

— Nunca me envolvi em nenhuma atividade sexual sem consentimento — afirmou em uma das declarações.

O humorista disse que teve uma vida sexual promíscua no passado, comportamento que afirmou ter condenado publicamente nos últimos anos. Segundo ele, a repercussão de reportagens sobre sua vida pessoal teria levado a imprensa e a polícia a incentivar o surgimento de novas denúncias.

Artista diz não se lembrar de mulheres que o acusam

Em uma declaração prestada em dezembro de 2023, Brand afirmou não se lembrar das mulheres que o acusaram, mas admitiu a possibilidade de ter tido contato com elas.

— É inteiramente possível que eu tenha me encontrado com elas e que tenhamos nos envolvido em atividades sexuais consensuais ou contato físico que tenham sido reinterpretados desde então — disse.

O artista também descreveu hábitos de sua vida pública durante o período em que era uma das personalidades mais conhecidas da televisão britânica. Segundo ele, costumava interagir fisicamente com admiradores em eventos, apresentações ao vivo, entrevistas e sessões de autógrafos.

Brand afirmou ter trocado beijos com centenas de pessoas em eventos públicos e disse que procurava manter uma relação amigável e afetuosa com o público. Também relatou ter feito comentários provocativos em apresentações e transmissões.

Ele reconheceu que teve encontros sexuais em diferentes lugares e circunstâncias, muitas vezes com pessoas que havia acabado de conhecer. Segundo o depoimento, algumas dessas relações ocorreram em cabines de banheiros durante festas. O humorista também declarou que, em algumas ocasiões, deixou o local ou pediu que suas parceiras fossem embora pouco depois dos encontros.

Ao comentar a repercussão de sua vida sexual, Brand afirmou que a dimensão de sua promiscuidade teria sido apresentada de forma enganosa por reportagens recentes, contribuindo para que encontros consensuais fossem retratados negativamente anos depois.

Acusação de tentativa de atentado ao pudor

Uma das denúncias envolve uma mulher que trabalhava na emissora MTV e afirma que, em 2001, Brand a segurou pelo braço e tentou arrastá-la para um banheiro masculino. Segundo o relato apresentado à Justiça, ela havia concordado em mostrar ao artista onde ficavam os banheiros, mas ele teria mudado de comportamento ao chegar à porta e tentado puxá-la para dentro. A mulher disse ter conseguido se desvencilhar.

A acusação original de atentado ao pudor relacionada ao episódio foi retirada nesta terça-feira por determinação do juiz, que considerou insuficientes as provas para sustentá-la. No lugar, foi incluída uma acusação de tentativa do crime, que Brand também nega.

Outro caso envolve uma mulher que afirma ter sido estuprada pelo artista em 2004, após um episódio em que ele teria tocado seus seios e a levado à força para um banheiro. Em seu depoimento à polícia, Brand disse não se lembrar de ter conhecido a mulher e negou ter praticado atos sexuais sem consentimento.

As seis mulheres que fazem parte do processo procuraram a polícia após a divulgação, em setembro de 2023, de uma investigação jornalística que reuniu um documentário do Channel 4 e reportagens dos jornais The Times e The Sunday Times.

A acusação sustenta que Brand agiu como um predador sexual. A defesa do artista nega as denúncias, e o julgamento continua em Londres.



Com informações da fonte
https://oglobo.globo.com/cultura/noticia/2026/10/27/russell-brand-diz-a-policia-que-tinha-vida-promiscua-mas-que-relacoes-sexuais-eram-consensuais.ghtml

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