O Ministério Público do Trabalho (MPT) do Rio de Janeiro abriu uma investigação após a deputada estadual Índia Armelau (PL) publicar mensagens nas redes sociais sugerindo que empresários verifiquem o posicionamento político de seus funcionários e questionando a permanência de trabalhadores que apoiaram o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A parlamentar, que foi a deputada estadual mais votada do Rio de Janeiro nas eleições de 2026, com 248.504 votos, teve as declarações divulgadas inicialmente pela coluna de Ancelmo Gois, do jornal O Globo.
Em uma das publicações, Índia Armelau orientou empresários a verificarem as redes sociais de seus empregados para identificar possíveis apoiadores do PT.
“Empresário, olha a rede social do teu funcionário aí e confere se ele fez ‘L’”, escreveu a deputada. Em seguida, acrescentou: “Acho que não faz sentido nenhum manter na tua empresa quem odeia empresários”.
Diante da repercussão, o MPT instaurou um procedimento para apurar uma possível conduta de incentivo à dispensa discriminatória de trabalhadores por motivos políticos.
Deputada nega incentivo a demissões em massa
Após a abertura da investigação, Índia Armelau publicou um vídeo no qual afirmou que suas declarações faziam parte de uma campanha intitulada “Não Contrate Quem Odeia Empresário”.
A parlamentar negou ter defendido demissões em massa, mas afirmou que, como empresária, não deseja contratar pessoas que considera contrárias aos empresários. Ela também defendeu que empregadores conservadores possam contratar profissionais com posicionamentos políticos semelhantes aos seus.
Ao comentar a atuação do Ministério Público do Trabalho, a deputada alegou que estaria sendo vítima de cerceamento da liberdade de expressão.
Durante o pronunciamento, Índia voltou a defender uma divisão política do Brasil entre apoiadores do PT e conservadores. A parlamentar também fez declarações depreciativas sobre a Região Nordeste, associando a população local a problemas como violência, analfabetismo e pobreza.
A investigação do MPT deverá avaliar se as manifestações da deputada configuram incentivo à discriminação política nas relações de trabalho. A abertura do procedimento não representa uma conclusão sobre eventual irregularidade.
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