A conta chegou! A cota de exportação de carne bovina do Brasil para a China estourou nesta quarta-feira (30). A partir desta quinta-feira (1º), a carne brasileira que ultrapassar o limite passa a pagar 55% de tarifa extra, além dos 12% habituais, elevando o imposto total a 67%.
Às vésperas das eleições, o governo Lula enfrenta mais uma dor de cabeça. A oposição cobra explicações e acusa o Planalto de ter perdido tempo enquanto países vizinhos do Mercosul se prepararam para evitar o sufoco.
O problema não surgiu de surpresa. A China anunciou a nova tarifa em janeiro, como parte de uma medida de proteção à sua pecuária. O Brasil, com cota anual de 1,1 milhão de toneladas, viu o limite ser consumido rapidamente, em um cenário agravado pelo bloqueio europeu às exportações brasileiras, em 3 de setembro, por questões sanitárias que o governo Lula também não conseguir resolver a tempo, ao contrários de seus vizinhos.
Enquanto Paraguai, Argentina e Uruguai os vizinhos se organizaram, o Brasil ficou para trás, apostando, ao que tudo indica, em negociações diplomáticas que não se concretizaram. Lula chegou a anunciar que o Uruguai permitiria o uso de parte de sua cota, mas a China – embora aliada do governo brasileiro – não autorizou o compartilhamento neste ano nem no próximo.
O resultado pode pesar no bolso e no emprego. A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) estima uma queda de 10% nas exportações totais de carne bovina do país em 2026, na comparação com o ano anterior.
Como a China compra quase metade da carne bovina exportada pelo Brasil, a restrição ameaça a produção. Grandes frigoríficos já recorrem a férias coletivas e reduzem o ritmo de trabalho para evitar estoques encalhados.
E o consumidor não deve esperar carne mais barata. Com a redução da produção, os preços no mercado interno não necessariamente caem, pois os produtores reduzem a produção para evitar prejuízo. O impacto também chega às cidades que dependem dos frigoríficos, com menos turnos, renda e dinheiro circulando no comércio.
O efeito dominó está lançado. Com o mercado chinês sob novas barreiras e o europeu impondo restrições, o agronegócio brasileiro enfrenta um cenário de pressão justamente quando Lula precisa explicar os resultados de sua política comercial em plena corrida eleitoral.
