Os presidenciáveis Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) chegam ao fim da propaganda eleitoral na televisão com apostas distintas para conquistar os últimos votos antes do primeiro turno. No programa final, o petista concentra sua mensagem em ataques à defesa de Flávio a um policial militar acusado de matar uma criança, além de mensagens sobre custo de vida e bets, enquanto o candidato do PL coloca a segurança pública no centro da peça e reforça o antipetismo na tentativa de atrair eleitores que ainda podem mudar de candidato.
As peças que vão ao ar nesta quinta-feira encerram mais de um mês de propaganda eleitoral e funcionam como uma síntese das estratégias escolhidas pelas duas campanhas para os últimos dias antes da votação.
Lula escolheu o último o programa para tratar do caso Ana Clara Machado, um crime de ampla repercussão no Rio de Janeiro que ocorreu em 2021. O petista também fará um apelo a indecisos e incentivo para que aos eleitores compareçam às urnas.
Já Flávio apresenta uma proposta nacional de monitoramento inspirada em uma experiência da prefeitura de São Paulo, faz acenos a segmentos que sua equipe ainda pretende conquistar e busca se apresentar como a alternativa para quem não quer a permanência do PT no Palácio do Planalto.
A campanha do PT decidiu trazer para a TV o caso da menina de cinco anos que morreu após ser baleada por um fuzil na frente de casa em Niterói (RJ) por um cabo da Polícia Militar em fevereiro de 2021. Flávio Bolsonaro foi um dos advogados de defesa. “Você acha que quem defende assassino de criança vai te defender?”, questiona a apresentadora, enquanto fotos das meninas são expostas em um telão.
O vídeo começou a circular nesta quinta-feira nas redes sociais e mira especialmente em mulheres, mães de família e moradores de grandes cidades. Na gravação de redes sociais, apresentada pela atriz Camila Pitanga, o vídeo abre com o questionamento: “Por que será que um senador decidiria perder seu tempo defendendo um cabo acusado de assassinato?”.
Lula fechará sua participação no horário eleitoral gratuito focando em fisgar os estratos do eleitorado que a campanha mais tem mirado nessa reta final. Além do público feminino, Lula quer fazer um apelo final aos eleitores endividados, em especial as faixas até dois salários mínimos, além de jovens e idosos.
Para isso reunirá dois argumentos, entre os quais o fim das bets no país, o que deve impactar especialmente mulheres chefes de famílias. A Medida Provisória que baniu as apostas online do território nacional foi uma das cartadas finais da campanha para buscar eleitores indecisos.
Dentro do contexto de discussão das bets, Lula fará indicações de esforços para melhoria do custo de vida. A ideia é mostrar que o presidente é sensível a esse problema da população e que buscará novas soluções em um eventual quarto mandato. Lula gravou suas últimas participações na segunda-feira, antes de partir em roteiro por comícios em Belém, Fortaleza e Salvador.
No caso de Flávio, a segurança pública ganhou espaço no fechamento da campanha em meio à avaliação de sua equipe de que o tema pode ajudar a alcançar eleitores que ainda não consolidaram o voto. O principal destaque será o chamado Smart Brasil, projeto inspirado no Smart Sampa, sistema adotado pela prefeitura de São Paulo que utiliza reconhecimento facial, leitura de placas e integração de câmeras públicas e privadas para auxiliar na identificação e prisão de suspeitos de crimes.
A proposta é integrar cerca de dois milhões de câmeras no país. O projeto passou por uma reformulação nesta reta final: inicialmente chamado de Muralha Brasileira e inspirado no Muralha Paulista, do governo Tarcísio de Freitas (Republicanos), foi rebatizado de Smart Brasil e passou a ter como principal referência a experiência da gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) em São Paulo.
Parte do material exibido no último programa foi gravada nesta terça-feira ao lado de Nunes. Na peça, a experiência paulistana é usada como vitrine para defender a expansão do modelo para o restante do país e reforçar a segurança como uma das prioridades de um eventual governo Flávio.
O programa, porém, não ficará restrito ao tema. A peça foi desenhada para falar também com grupos considerados decisivos pela campanha nesta reta final, com mensagens voltadas a jovens e à população de menor renda. Haverá ainda acenos ao eleitorado evangélico e à Região Sul, ao mesmo tempo em que a equipe busca ampliar o discurso para além dos segmentos nos quais Flávio já tem apoio mais consolidado.
A estratégia inclui uma tentativa de apresentar uma versão mais moderada do candidato nos últimos dias antes da votação. Em vez de concentrar o programa em ataques diretos a Lula, a orientação é combinar críticas ao atual governo com propostas e uma mensagem voltada a eleitores que ainda demonstram resistência à candidatura do senador.
O antipetismo será outro eixo do fechamento da propaganda. Flávio vai se apresentar como a alternativa para quem não quer mais quatro anos de PT no Palácio do Planalto e reforçar o apelo pelo voto útil entre eleitores de outros candidatos da direita. Integrantes da campanha chamam a expectativa de uma migração desse eleitorado nos últimos dias de “antipetismo de chegada”.
Além da segurança, o último programa terá mensagens sobre saúde, educação e corrupção. A orientação é fazer contrapontos ao governo Lula sem transformar a peça final em uma sequência de ataques ao presidente. A campanha pretende usar o último espaço no horário eleitoral para apresentar propostas e reforçar a imagem de Flávio como alternativa ao PT.
