O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), manteve sob sigilo parte da investigação sobre o caso Banco Master que envolve o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro. A informação foi divulgada nesta sexta-feira (25) pelo jornal Folha de S.Paulo.
Segundo a reportagem, Mendonça negou, em julho, um pedido da Polícia Federal para realizar uma nova operação de busca e apreensão contra Castro. A medida também tinha parecer favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR).
A investigação apura suspeitas relacionadas à aplicação de cerca de R$ 3 bilhões do Rioprevidência no Banco Master. De acordo com a Polícia Federal, Cláudio Castro teria tido participação política relevante na viabilização dos investimentos.
A primeira fase da operação foi realizada em maio, quando agentes cumpriram mandados de busca na residência do então governador, na Barra da Tijuca. Depois disso, a PF solicitou novas diligências em outros endereços, incluindo um imóvel em Petrópolis e uma sala comercial no Centro do Rio, onde teria sido observada movimentação considerada suspeita.
Ao analisar o pedido, Mendonça entendeu que não havia elementos suficientes para autorizar novas buscas. O ministro argumentou que medidas desse tipo precisam estar fundamentadas em indícios concretos e não podem ser usadas para uma investigação ampla sobre a vida do investigado.
Outro ponto citado na investigação é uma diferença nos prazos de análise de pedidos envolvendo Cláudio Castro e o senador Jaques Wagner (PT-BA). Um relatório da PF apontou que uma solicitação relacionada a Castro levou cerca de 74 dias para ser analisada, enquanto uma medida envolvendo Wagner foi decidida em nove dias. O próprio documento, no entanto, ressalta que a comparação é limitada e não considera fatores como a complexidade dos casos e o tempo de análise pela PGR.
Mendonça nega qualquer favorecimento e afirma que suas decisões seguem critérios técnicos e os elementos apresentados nos processos. O gabinete do ministro informou que o sigilo foi mantido porque novas diligências ainda podem ser solicitadas caso surjam novos fatos na investigação.
