O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o governo do estado do Rio de Janeiro e a Coppe/UFRJ firmam nesta sexta-feira um acordo para integrar o planejamento de projetos de expansão do Metrô do Rio.
A parceria reúne propostas para a Linha 2, entre Estácio e Praça XV, para a Linha 4, entre Jardim Oceânico, na Barra da Tijuca, e Recreio dos Bandeirantes, pela Avenida das Américas, e para a criação da Linha 3, ligando São Gonçalo, Niterói e a Praça XV.
Os projetos já contam com recursos públicos destinados aos estudos. O estado recebeu R$ 20 milhões por meio do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), enquanto a Coppe dispõe de R$ 26 milhões provenientes de emendas parlamentares. O BNDES não informou se o novo acordo também envolverá aporte financeiro da instituição.
Estudos terão que considerar mudanças nos deslocamentos
A secretária estadual de Transporte e Mobilidade Urbana, Priscila Sakalem, afirmou que ainda será necessário atualizar o Plano Diretor de Transportes Urbanos (PDTU) para estimar a demanda de passageiros das futuras linhas.
Os estudos existentes são de 2013 e foram elaborados antes da pandemia de Covid-19, que alterou hábitos de deslocamento e a utilização do transporte público. Segundo a secretária, essa atualização será necessária para definir as próximas etapas dos projetos.
As decisões sobre parte das obras e investimentos deverão ficar para a próxima gestão estadual. O planejamento conjunto pretende organizar as diferentes propostas antes da definição das prioridades de expansão.
Linha 2 é apontada como prioridade para expansão
O projeto de prolongamento da Linha 2 entre o Estácio e a Praça XV é considerado pelo CEO do Metrô Rio, Guilherme Ramalho, como uma das intervenções que poderiam avançar primeiro.
O trecho teria cerca de quatro quilômetros e, segundo Ramalho, permitiria ampliar em mais de 35% a capacidade de oferta do sistema. A expansão também aumentaria as possibilidades de integração e abriria espaço para futuras estações.
A obra beneficiaria principalmente passageiros da Zona Norte e da Baixada Fluminense, além de preparar a rede para uma futura integração com a Linha 3, prevista entre São Gonçalo, Niterói e a Praça XV.
Conexão com Niterói pode ampliar integração
O professor da FGV Transportes Marcus Quintella lembra que o prolongamento da Linha 2 além do Estácio já fazia parte dos estudos originais de implantação do metrô no Rio. Posteriormente, durante a gestão do ex-governador Sérgio Cabral, foi autorizada a interligação da Linha 2 com a Linha 1.
Para Quintella, a chegada da Linha 2 à Praça XV poderia criar novas conexões com outros meios de transporte e facilitar a integração com a Região Metropolitana.
A possibilidade também envolve passageiros que utilizam a Ponte Rio-Niterói. Segundo o professor, a via recebe atualmente cerca de 240 mil veículos por dia, o que representa uma parcela do fluxo que poderia ser integrada ao sistema metroviário com a expansão planejada.
