O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o Grupo Entre recebeu dinheiro do crime organizado, ao comentar a terceira fase da Operação Carbono Oculto, batizada de Crédito Oculto e deflagrada nesta quinta-feira.
Entre os alvos de busca estão endereços ligados a Humberto Arthur Tupinambá Neto, ex-executivo do Banco Genial; seus irmãos, André e Bruno Tupinambá; e ao empresário Antonio Carlos Freixo Junior, o “Mineiro”, dono da Entre Investimentos. Freixo assinou umacordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR) no âmbito das investigações sobre o Caso Master.
A Entre Investimentos e Participações foi usada para repasses de dinheiro entre o banqueiro Daniel Vorcaro e a produção de “Dark horse”, o filme sobre a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro.
— Nós estamos falando de uma administradora, de um grupo empresarial, que é o Grupo Entre, que recebia dinheiro tanto do Master quanto do crime organizado e dentro de um mesmo bolso. E esse recurso, ele foi utilizado para ocultar patrimônio, para lavar dinheiro, para corromper — disse o ministro. — Nós estamos falando de um mesmo fundo, de um mesmo bolso de onde dinheiro de diferentes lugares foram parar: seja do Master, seja do crime organizado, seja de figuras que já estão com delação premiada no Ministério Público de São Paulo ou no Ministério Público Federal.
Questionado se o dinheiro para o filme sobre o ex-presidente também veio desse bolso, Durigan afirmou:
— Isso eu as autoridades vão poder esclarecer. Não é um tema que nós estamos tratando do ponto de vista do Ministério da Fazenda, mas acho que isso vai ser esclarecido pelas autoridades competentes.
Durigan também foi perguntado se o dinheiro enviado ao exterior para o filme do ex-presidente Jair Bolsonaro pode ser oriundo de lavagem de dinheiro. Ele afirmou que “tudo indica” que o recurso que dá liquidez para essas operações vem de uma mesma entidade e “um mesmo bolso”.
– E aí é muito complicado você identificar o que é cada coisa. Se você tem dinheiro do PCC, tem dinheiro de usina do crime organizado, de distribuidora de combustível do crime organizado no mesmo bolso, no mesmo fundo, é um trabalho de investigação identificar o que saiu desse fundo, seja para as delações que tão sendo feitas aqui em Brasília, seja para as apurações do Supremo, seja para as apurações que tão feitas em São Paulo.
O ministro disse ainda que que segmentos do setor financeiro foram capturados pelo crime organizado e que o governo enfrenta dificuldades para identificar crimes como lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio.
— Se o próprio sistema financeiro está capturado, em vez de ajudar, de contribuir com as autoridades, mostrando que tipo de operação gera alerta, que tipo de obrigação, que tipo de operação é feita em desconformidade com o padrão que se observa, se essa informação não chega, você dificulta a autoridade — afirmou.
A investigação desta quinta-feira aponta a participação de operadores do mercado financeiro na criação de estruturas para ocultar os verdadeiros donos de uma usina sucroalcooleira e, posteriormente, viabilizar a compra de uma distribuidora de combustíveis. Segundo a apuração, os envolvidos teriam sobreposto fundos de investimento, holdings, empresas patrimoniais, empresas de fachada e instituições financeiras para dificultar a identificação dos beneficiários finais.
O ministro afirmou que bancos, fundos de investimento e administradoras de recursos não estão informando às autoridades competentes sobre movimentações de recursos suspeitos.
— O que nós estamos vendo é que muitas fintechs, muitos bancos, muitas administradoras não só deixam de fazer a comunicação dentro da outras autoridades, como foram capturadas, estão a serviço do crime organizado — afirmou o ministro.
Segundo o governo, uma das empresas financeiras utilizadas na aquisição simulada da usina movimentou cerca de R$ 11,6 bilhões entre 2021 e 2025. Para os investigadores, o volume, somado aos demais elementos reunidos, reforça os indícios de uso da estrutura para ocultação patrimonial, dissimulação da origem dos recursos e lavagem de dinheiro.
Durigan afirmou que o governo federal vai concentrar esforços para coordenar vários órgãos de inteligência para identificar as “personalidades jurídicas” criadas para esconder informações. Ele citou Banco Central, Receita Federal, Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
— Quanto mais a gente tiver diagnóstico bem feito, a Polícia e o Ministério Público para a receita poderem apurar o que que tá acontecendo de errado, a gente vai dar o remédio certo para que isso pare de acontecer — afirmou Durigan.
