Polícia faz operação contra grupo que vendia CPFs, CNPJs e dados sigilosos para golpistas: ‘fonte para as fraudes’

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Polícia investiga possível uso indevido de sistemas públicos para obter informações sobre autoridades no DF — Foto: Divulgação/Polícia Civil do Distrito Federal


A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) deflagrou, na manhã desta quinta-feira (24), uma operação contra um grupo suspeito de vender dados sigilosos, como CPFs, nomes e endereços, em uma plataforma clandestina de consulta de dados pessoais. Entre março de 2021 e março de 2026, a organização criminosa faturou mais de R$7 milhões, sendo mais de R$4 milhões apenas em 2025. A Justiça determinou a retirada do site do ar e a suspensão de bens dos integrantes do grupo.

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A Polícia cumpriu 13 mandados de prisão temporária e mandados de busca e apreensão em São Paulo, Minas Gerais, Piauí, Paraná, Espírito Santo e Pernambuco. A ação, denominada Operação Perseu7, em referência à mitologia grega, foi coordenada por equipes da Delegacia Especial de Repressão aos Crimes Cibernéticos, vinculada ao Departamento de Combate à Corrupção e ao Crime Organizado (DRCC/Decor).

— Essa plataforma digital é responsável por nutrir as demais organizações criminosas com dados pessoais e até mesmo com dados sigilosos, governamentais, dados de Detran, de Receita Federal, processos judiciais. Esses dados são então repassados às organizações ligadas a crimes cibernéticos para a prática de diversos golpes. O golpe do falso advogado, o golpe do perfil falso de WhatsApp, entre outros — pontua o delegado-chefe da DRCC, João Guilherme Carvalho.

Mensalidade para acesso a plataforma de dados sigilosos

Segundo as investigações, o grupo era “uma fonte para as fraudes”. Os criminosos cobravam mensalidades na plataforma que permitia consultar, a partir de um CPF ou CNPJ, o nome, a filiação, o endereço, os documentos, os vínculos e os processos judiciais de qualquer pessoa. As bases somavam centenas de milhões de registros e eram provenientes de vazamentos e da exploração de vulnerabilidades em sistemas de órgãos públicos, conselhos profissionais e operadoras de telefonia.

“Estelionatários de todo o país iam até ela para matar a sede de informações e saíam dali com o roteiro pronto do golpe. O caso mais emblemático é o do falso advogado: munido de dados reais do processo da vítima, o criminoso se passa pelo defensor para exigir pagamentos”, conta a PCDF.

A Polícia identificou 13 integrantes com divisões de tarefas no esquema. Existia um núcleo de liderança e organização do financeiro, desenvolvedores, fornecedores das bases de dados, operadores de fraudes e de contas de laranjas, e responsáveis por anúncios e vendas.

Os lucros obtidos pela plataforma eram ocultados por meio de empresas de fachada, contas-bolsão e movimentação de criptoativos entre os líderes. O grupo já estava concluindo uma segunda plataforma do mesmo tipo.

A Justiça determinou o bloqueio e o sequestro de bens, valores e criptoativos do grupo, incluindo imóveis, veículos de alto padrão e uma embarcação. Os integrantes podem responder por organização criminosa, lavagem de dinheiro, receptação qualificada, invasão de dispositivo informático e estelionato. As penas máximas somadas ultrapassam 36 anos de reclusão.

*Estagiária sob supervisão de Alfredo Mergulhão



Com informações da fonte
https://oglobo.globo.com/brasil/noticia/2026/09/24/policia-faz-operacao-contra-grupo-que-vendia-cpfs-cnpjs-e-dados-sigilosos-para-golpistas-fonte-para-as-fraudes.ghtml

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