Investigação teve início em maio e partiu de denúncia anônima Matheus Lima / Vasco
Em específico, a polícia investiga a inclusão e o pagamento de uma dívida trabalhista com Max ao processo de recuperação judicial do clube. Uma das dúvidas a serem apuradas é como um processo que ainda transita na Justiça do Trabalho, portanto não teve valor exato estipulado, pôde ser somado à lista de credores da reestruturação financeira do Cruz-Maltino.
No entanto, o principal questionamento é em relação ao próprio montante. O Vasco impugnou o crédito ao ex-defensor com salto de R$ 2,5 milhões para cerca de R$ 8 milhões. A suspeita é de que o valor tenha sido inflado artificialmente na lista de credores, em manobra que pode ser considerada fraudulenta.
Para esclarecer o assunto, o próprio Max, hoje técnico, prestou depoimento na Delegacia. Além disso, o mandatário do Cruz-Maltino, Pedrinho, e o presidente da Assembleia Geral do Clube, Alan Belaciano, foram intimados. O antigo diretor financeiro, Gabriel Souza, e a ex-diretora jurídica, Bianca Reis, já prestaram depoimento.
Vale ressaltar que, em 2016, quando o processo que originou a dívida com o ex-jogador foi movido na Justiça do Trabalho, o advogado responsável pela parte de Max foi justamente Alan Belaciano, hoje diretamente envolvido na recuperação judicial do clube.
Alan Belaciano se pronuncia em nota oficial
Em contato com o “ge”, o presidente da Assembleia Geral do Vasco e então advogado de Max, Alan Belaciano, se pronunciou sobre a investigação através de nota oficial.
“Eu não sou investigado, não negociei valores e não fiz nenhum cálculo na recuperação judicial. Advogado não faz conta. Os valores, a forma de pagamento e toda a estrutura da negociação foram definidos pelos escritórios especializados em recuperação judicial. A Dra. Bianca Reis reconheceu isso em seu depoimento e o Felipe Carregal disse o mesmo em entrevistas.
Quando tomei posse no Vasco, deixei de advogar para o atleta Max e para qualquer outra parte em processos contra o clube. A pedido do Carlos Amodeo, atuei de forma pontual apenas para aproximá-lo dos advogados dos credores, porque o Vasco precisava recuperar a credibilidade que tinha perdido com quem tinha dinheiro a receber do clube.
Em janeiro, a própria Dra. Bianca Reis assinou uma petição concordando com o valor de aproximadamente 8 milhões de reais. O administrador judicial e o juiz concordaram e o valor entrou no plano da recuperação judicial. Quando veio o racha na diretoria, os executivos da SAF resolveram pedir a impugnação dessa mesma petição, contrariando a orientação dos escritórios contratados pelo próprio clube e sem avisar o presidente Pedrinho.
Até pouco tempo ninguém falava desse assunto. A denúncia anônima de ‘um vascaíno apaixonado’ só aparece depois do racha, e o assunto é requentado no período eleitoral, justamente quando a Justiça deu sinal verde para a qualificação do novo investidor.
A Dra. Bianca Reis, o Felipe Carregal e o Silvio Almeida eram os responsáveis por fiscalizar esse processo dentro do Vasco e ficaram calados até o rompimento. Então por que agora querem colocar o meu nome nisso? Quem deve explicação são eles”.
