PGR fecha acordo de delação com empresário ligado a repasses para filme de Bolsonaro

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A Procuradoria-Geral da República (PGR) fechou um acordo de colaboração premiada com o empresário Antonio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro e dono da Entre Investimentos e Participações. O empresário confirmou a investigadores ter realizado pagamentos a pedido do banqueiro Daniel Vorcaro relacionados ao filme ‘Dark Horse’, produção sobre a trajetória política de Jair Bolsonaro.

Freixo Júnior detalhou repasses destinados ao fundo Havengate, sediado no Texas, nos Estados Unidos, e administrado pelo advogado de imigração Paulo Calixto, apontado como próximo de Eduardo Bolsonaro.

O acordo ainda precisa ser homologado pelo ministro André Mendonça, relator do caso. Freixo Júnior não está preso e também não utiliza tornozeleira eletrônica. Não há prazo definido para que Mendonça analise o conteúdo e as cláusulas da colaboração.

Empresário detalhou pagamentos feitos a pedido de Vorcaro
De acordo com informações obtidas por fontes que acompanham o caso, Freixo Júnior relatou diversas remessas realizadas para o exterior e também entregas de dinheiro em espécie, inclusive em malas. O empresário teria fornecido aos investigadores os endereços onde ocorreram algumas dessas entregas.

O colaborador, porém, afirmou que não tinha conhecimento sobre a destinação final dos valores. Segundo as informações da apuração, ele também não citou autoridades com foro privilegiado durante seu relato.

A colaboração pode ser considerada relevante para as investigações porque os investigadores pretendem obter registros da movimentação financeira do Havengate nos Estados Unidos e ampliar a cooperação com autoridades norte-americanas.

Repasses podem esclarecer destino de dinheiro
A principal dúvida dos investigadores é identificar se os recursos enviados por Vorcaro foram efetivamente utilizados na produção de “Dark Horse” ou se parte do dinheiro teria sido destinada a despesas de Eduardo Bolsonaro no exterior. Essa possibilidade é investigada pela Polícia Federal e pela PGR.

Segundo levantamento divulgado pelo repórter Breno Pires, da revista piauí, a Entre Investimentos realizou pelo menos sete pagamentos ao Havengate. Um deles ocorreu em 16 de setembro de 2025, apenas dois meses antes da prisão de Daniel Vorcaro por determinação da Justiça Federal de Brasília.

Esse pagamento também contradiz uma declaração anterior de Flávio Bolsonaro. Em entrevista à Globonews, o senador havia afirmado que os repasses teriam terminado em maio de 2025.

Perícia sobre Dark Horse levantou novos questionamentos
A produção do filme também passou a ser alvo de questionamentos relacionados à prestação de contas. Flávio Bolsonaro havia prometido apresentar os dados financeiros da obra em até 30 dias, mas isso não ocorreu dentro do prazo anunciado.

A produtora Go Up Entertainment contratou uma perícia privada que apontou que 72% dos gastos de produção ocorreram nos Estados Unidos, embora as filmagens tenham sido realizadas no Brasil. Os valores empregados nas etapas iniciais do projeto, principalmente na pré-produção, também provocaram estranhamento entre profissionais do setor consultados pela reportagem.

Outro ponto investigado envolve o Banco Master. Segundo informações divulgadas anteriormente, a instituição pagou diretamente R$ 2,329 milhões à Entre Investimentos em 2025. O valor consta nas declarações de Imposto de Renda do banco, compartilhadas com a CPI do Crime Organizado.

Mensagens apontaram participação da Entre nos repasses
Mensagens trocadas em janeiro de 2025 entre Daniel Vorcaro e seu cunhado, Fabiano Zettel, também entraram no foco das investigações. Zettel é apontado pelos investigadores como operador financeiro do banqueiro.

Nas conversas, Vorcaro reclamava de atrasos em pagamentos destinados ao filme. Diante de dificuldades para concluir as transferências internacionais em dólar, o banqueiro orientou o cunhado a utilizar a Entre Investimentos.

Dias depois, Zettel perguntou se poderia “pedir pro Minas”, referência ao apelido de Freixo Júnior, que aparecia salvo dessa maneira no telefone de Vorcaro. Posteriormente, segundo a apuração, foi apresentado um comprovante de transferência de US$ 2 milhões para um fundo ligado à produção de “Dark Horse”.

A defesa de Freixo Júnior informou que não se manifestaria sobre o caso porque a investigação é sigilosa.



Com informações da fonte
https://mancheterio.com.br/pgr-fecha-acordo-de-delacao-com-empresario-ligado-a-repasses-para-filme-de-bolsonaro/

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