Se o Fluminense foi pego de surpresa no ano passado com a saída de Renato Gaúcho, desta vez, com Luis Zubeldía, até tentou esticar a corda para não interromper outro trabalho. Mas a verdade é que a permanência do argentino já se mostrava insustentável. Diante de sete jogos sem vencer após a Copa do Mundo e com atuações ruins, a diretoria decidiu, ontem, demitir o treinador na busca por voltar aos trilhos. Para seu lugar, trouxe um fato que está longe de ser novo às vésperas de decidir a vida na Libertadores: acionou o protocolo Marcão pela 11ª vez.
O auxiliar técnico permanente comandará de forma interina a equipe contra o Palmeiras, amanhã, às 16h30, no Maracanã, pelo Brasileirão. Sua presença, porém, não está garantida diante do Independiente Rivadavia-ARG, na terça-feira, no jogo de volta das oitavas de final do torneio continental.
Quem poderá ajudar Marcão na nova empreitada é Thiago Silva, amigo de longa data. A relação entre os dois é tão próxima que o ex-volante deseja trabalhar como auxiliar do zagueiro quando este iniciar a carreira de treinador — a temporada 2026 deve ser a última do camisa 3 em campo. Mesmo quando Thiago atuava por PSG e Chelsea, Marcão aproveitava as conversas para trocar conhecimento e pegar dicas do futebol europeu, já que o defensor sempre foi estudioso e tem em mente há anos seguir carreira de técnico.
Apesar de esticar a corda, antes mesmo do jogo de ida das oitavas da Libertadores, a diretoria tricolor já mapeava alternativas, ciente do desgaste do trabalho de Zubeldía. A atuação no empate com o time argentino reforçou a sensação de que o treinador já não conseguia mais encontrar soluções para uma reação na temporada.
O martelo sobre a saída foi batido em uma reunião na noite de quarta-feira, enquanto o elenco estava de folga. O treinador foi comunicado na manhã de ontem, logo assim que pisou no CT Carlos Castilho para preparar o treino marcado para as 9h30. Os atletas ainda não haviam chegado, mas foram informados por WhatsApp e, na sequência, participaram de uma atividade comandada por Marcão.
A decisão de encerrar o trabalho de Zubeldía não era unanimidade no clube. Ela ganhou força principalmente pelo lado do presidente Mattheus Montenegro, que chegou a um consenso com o diretor-geral Mário Bittencourt, o diretor de futebol Paulo Angioni e o vice-presidente Ricardo Tenório. Com o perfil de tentar evitar interrupções de trabalho, o ex-mandatário era um dos defensores da permanência do argentino.
Um dos motivos que também seguravam Zubeldía no cargo era a avaliação positiva dos jogadores no dia a dia. A percepção do elenco era a de que o argentino desenvolvia um bom trabalho. O grupo, porém, admitia que o treinador tinha dificuldades para solucionar alguns problemas que surgiam no time. Por isso, era visto como “engessado”.
Apesar do estilo agitado à beira do campo, Zubeldía não tinha um comportamento conflituoso e mantinha boa convivência com praticamente todos no dia a dia. A mensagem de agradecimento publicada por Thiago Silva ao comandante é um exemplo claro disso:
“A despedida nunca é fácil, principalmente quando dividimos o dia a dia com pessoas tão competentes e humanas. Quero agradecer de coração a você, mister, e a toda comissão por tudo que construímos juntos”.
Por outro lado, os resultados e desempenhos abaixo do esperado foram pesando na balança. Após a eliminação para o Vasco na Copa do Brasil, a direção chegou a discutir a demissão, mas decidiu dar uma nova chance ao argentino, justamente pelos méritos de seu trabalho. Mas outra atuação ruim, no empate sem gols com o Independiente Rivadavia, foi suficiente para colocar os prós e contras na mesa e decretar a saída, de cabeça fria, no dia seguinte ao jogo.
Entre as principais críticas da torcida a Zubeldía, o pouco espaço dado a jogadores da base era assunto recorrente nas entrevistas. Ao que parece, essa também era uma reclamação da própria garotada. Pouco utilizado pelo argentino, o atacante Riquelme, de 19 anos, colocou um emoji de agradecimento no post do Flu sobre o anúncio da demissão, mas apagou logo depois.
Por falar em Xerém, Fred, atual técnico do sub-20 do Flu, foi lembrado por muitos torcedores nas redes sociais para a vaga. Embora seja um plano da diretoria a promoção do ídolo no futuro, no momento, a princípio, essa opção não é cogitada. Fred começou a trabalhar como técnico no ano passado no sub-17 do Fortaleza apenas no ano passado e comanda os Moleques de Xerém há poucos meses. A tendência é que passe mais um tempo na base para adquirir conhecimento e passar sua experiência aos mais jovens.
