Covid-19: cientistas podem ter mentido sobre a origem do vírus, aponta investigação nos EUA

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Durante anos, quem defendia a hipótese de que a Covid-19 poderia ter vazado de um laboratório em Wuhan era tratado como propagador de “fake news”. Donald Trump, nos Estados Unidos, e Jair Bolsonaro, no Brasil, foram alguns dos principais alvos dessa narrativa.

Acusados de espalhar desinformação, de negacionismo e de alimentar um discurso xenófobo contra a China, viram suas declarações serem combatidas por boa parte da imprensa, agências de checagem e plataformas digitais, que chegaram a censurar conteúdos sobre o tema.

Seis anos depois, o cenário é outro. A hipótese do vazamento laboratorial deixou de ser tratada como “teoria da conspiração” e passou a integrar investigações oficiais conduzidas pelo Congresso e pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos.

Fauci fica em silêncio e amplia suspeitas

No episódio mais recente, no fim de julho, o imunologista Anthony Fauci — principal autoridade do governo americano no combate à pandemia — compareceu ao Comitê de Segurança Interna e Assuntos Governamentais do Senado e invocou a Quinta Emenda da Constituição mais de cem vezes para não responder a perguntas sobre sua atuação, pesquisas realizadas em Wuhan e comunicações relacionadas ao caso.

O silêncio de Fauci desencadeou uma nova onda de investigações. Estados governados por republicanos, como Flórida, Alabama e Louisiana, anunciaram procedimentos para apurar se o ex-diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas cometeu infrações passíveis de responsabilização na esfera estadual.

Ex-assessor é acusado de destruir provas

A ofensiva ganhou força poucos meses após o Departamento de Justiça indiciar David Morens, ex-assessor de Fauci, acusado de apagar e-mails, destruir registros oficiais e utilizar contas pessoais para tratar de assuntos ligados à EcoHealth Alliance, ONG que recebia recursos públicos americanos e financiava pesquisas com o coronavírus no Instituto de Virologia de Wuhan.

As investigações também revelaram e-mails internos de cientistas que, em conversas reservadas no início de 2020, discutiam seriamente a possibilidade de uma origem laboratorial para o SARS-CoV-2, pois pareciam geneticamente modificados. Pouco depois, parte desses mesmos pesquisadores assinou, estranhamente, artigos e manifestações públicas descartando essa hipótese e classificando-a como improvável.

Parlamentares republicanos afirmam que houve um esforço coordenado para proteger a ONG e instituições envolvidas nas pesquisas e evitar uma crise diplomática com a China.

Recursos suspensos e novas suspeitas

Como se não bastasse, auditorias oficiais identificaram falhas de supervisão e transparência na utilização de recursos federais destinados à EcoHealth Alliance. Em 2024, o governo americano suspendeu os repassese, em 2025, proibiu a ONG e seu presidente, Peter Daszak, de receber verbas federais por cinco anos. As pesquisas financiadas envolviam experimentos conhecidos como “ganho de função”, que buscavam potencializar determinadas características dos coronavírus para fins não revelados.

O debate mudou, mas a cobertura também?

A hipótese que durante anos foi tratada por muitos como “teoria da conspiração” hoje está no centro de investigações oficiais, audiências no Senado, processos judiciais e disputas políticas nos Estados Unidos. Também chama atenção que esses desdobramentos tenham recebido, em parte da grande imprensa, uma cobertura menos intensa do que a dedicada às acusações dirigidas a Donald Trump e Jair Bolsonaro nos primeiros anos da pandemia.

Críticos dessa cobertura afirmam que reconhecer a mudança no cenário representaria um custo de credibilidade para veículos de comunicação, plataformas digitais e agências de checagem, que adotaram posição categórica sobre o tema e venderam fake news como se fosse verdade.

O indulto de Biden alimenta novas dúvidas

Analistas políticos independentes apontam que esse “apagão midiático” se deve além de autoproteção institucional a fatores ligados à blindagem política: em 19 de janeiro de 2025, no último dia inteiro do mandato de Joe Biden, o então presidente americano Sim, Joe Biden concedeu um “indulto presidencial preventivo” (perdão integral) a Anthony Fauci.

Esse indulto protege Fauci de qualquer acusação criminal em nível federal por atos cometidos entre 1º de janeiro de 2014 e 19 de janeiro de 2025 ligados à sua atuação na resposta à pandemia. A medida alimentou ainda mais a suspeita de que havia realmente algo a ser escondido da população.



Com informações da fonte
https://coisasdapolitica.com/mundo/09/08/2026/covid-19-cientistas-podem-ter-mentido-sobre-a-origem-do-virus-aponta-investigacao-nos-eua

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