Quando o ator Billy Zane (“Titanic”, 1997) apareceu na internet personificando Marlon Brando para a produção independente “Waltzing with Brando” (“Dançando com Brando”, em tradução livre), causou um tal burburinho que gerou várias reportagens ao redor do planeta sugerindo que ele seria um dos prováveis finalistas na disputa pelo Oscar. A cada nova imagem, a expectativa aumentava. A primeira sessão do longa para o público ocorreu em 30 de novembro de 2024, no Festival de Cinema de Turim, na Itália, seguida de uma exibição em 7 de janeiro de 2025 no Festival Internacional de Palm Springs, nos EUA. Em 19 de setembro, teve o seu lançamento comercial limitado aos EUA para cumprir as regras do Oscar.
No entanto, mesmo com a bela atuação de Billy Zane, a produção foi ignorada, entrando na lista de possíveis indicados ao prêmio apenas pela maquiagem. No final, nem isso conseguiu. O menosprezo decorreu das críticas divididas, ainda que o projeto tenha conquistado elogios dos poucos espectadores que viram o filme. Na verdade, por causa do arremesso restrito, “Waltzing with Brando” não alcançou a relevância cultural nem a urgência narrativa necessárias para influenciar os votantes. Além disso, não teve uma campanha de premiação de ampla repercussão, nem tampouco o apoio de um grande estúdio. E sabemos que o marketing agressivo dos estúdios já foi o responsável por conseguir a indicação e até a premiação em diversas categorias de muitos filmes no mínimo questionáveis.

“Waltzing with Brando” até hoje não chegou ao circuito brasileiro. E, pior: nenhum streaming, canal fechado ou aberto daqui o adquiriu. Uma pena, pois o longa é encantador, divertido e tem várias qualidades. Com certeza merecia ter recebido indicação pela maquiagem e pela atuação de Billy Zane como ator coadjuvante — o filme não é sobre Marlon Brando e sim sobre Bernard Judge, o verdadeiro protagonista da trama, interpretado por Jon Heder. E essa poderia ter sido a produção que resgataria o esquecido Billy Zane para a primeira prateleira de Hollywood, como vimos recentemente com o retorno de outro galã dos anos 90, Brendan Fraser, que levou o Oscar em 2023 por “A baleia”.

O roteiro de “Waltzing with Brando”, assinado pelo diretor da empreitada, Bill Fishman, é baseado no livro “Waltzing with Brando: Planning a Paradise in Tahiti” (algo como “Dançando a Valsa com Brando: Planejando um Paraíso no Taiti”), de autoria de Bernard Judge. A narrativa é sobre Judge, arquiteto de Los Angeles recrutado por Marlon Brando para construir o primeiro refúgio ecologicamente perfeito do mundo em uma pequena ilha inabitável do Taiti.
O que vemos ao longo de 104 minutos são os percalços e as peripécias que Bernard Judge foi obrigado a enfrentar para dar vida ao sonho megalômano de Marlon Brando. Infelizmente, parte da crítica não entendeu a proposta, fazendo questionamentos equivocados sobre a vida pessoal e artística de Brando. Não se trata de uma cinebiografia do ator, que é apenas mais um elemento dentro da estrutura dramatúrgica da história. Assim, “Waltzing with Brando” acabou se tornando mais uma vítima daqueles especialistas que, ao invés de julgar o que estão vendo, julgam o que gostariam de ver. Independentemente da controvérsia, “Waltzing with Brando” só está disponível para aluguel e compra digital no Google Play Filmes e na Prime Video.

