PCC já reúne mais de 40 mil integrantes só no Brasil

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Enquanto o governo brasileiro resiste a classificar o PCC como organização terrorista — medida que poderia ampliar os instrumentos de combate ao crime organizado — a maior facção do país continua crescendo. Hoje, o Primeiro Comando da Capital reúne cerca de 40 mil integrantes espalhados pelo Brasil, está presente em 28 países e opera com uma estrutura comparada à de uma multinacional do crime. Neste ano, os Estados Unidos classificaram oficialmente o PCC e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras.

Um novo organograma elaborado pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) mostra como a facção deixou de ser apenas um grupo surgido dentro dos presídios para se transformar em uma organização criminosa altamente profissionalizada. O documento revela uma estrutura com setores especializados, cadeia de comando, operações financeiras, expansão internacional, infiltração em empresas e, segundo as investigações, até no poder público.

No topo da hierarquia está a chamada “Sintonia Final Geral”, considerada a cúpula do PCC. É desse núcleo, liderado por Marcola e seus homens de confiança, que partem as ordens para todas as operações da facção no Brasil e no exterior.

Logo abaixo aparece a “Sintonia Restrita”, considerada a tropa de elite da organização. De acordo com o Ministério Público, esse grupo é responsável pelas ações mais sensíveis, incluindo o planejamento de atentados contra autoridades.

Outro setor que chama atenção é a chamada “Sintonia dos Gravatas”. Segundo as investigações, ela reúne advogados que utilizariam o sigilo profissional para transmitir mensagens entre criminosos presos e integrantes em liberdade, mantendo o comando da facção funcionando mesmo de dentro dos presídios.

O organograma também revela a “Sintonia dos Países”, responsável por coordenar a expansão internacional do PCC. A facção já mantém conexões com organizações criminosas estrangeiras, como a máfia italiana ‘Ndrangheta, além de atuação consolidada em países como Itália, Portugal e outros pontos da Europa.

Um dos maiores pilares da organização é o setor financeiro. Segundo o Ministério Público, essa estrutura administra esquemas de lavagem de dinheiro, movimenta recursos do tráfico, investe em negócios e busca ampliar a influência da facção por meio da infiltração em empresas e setores estratégicos da economia.

As investigações também apontam movimentações financeiras nos Estados Unidos, o uso da Tríplice Fronteira para o tráfico internacional de armas e drogas e ligações da organização com agentes públicos e policiais investigados por colaborar com o grupo criminoso.

Para o promotor Lincoln Gakiya, um dos maiores especialistas no combate ao PCC, a facção já reúne todas as características de uma máfia internacional. Segundo ele, a estrutura criada na Europa reproduz praticamente o mesmo modelo adotado no Brasil, demonstrando que a expansão da organização deixou de ser pontual e se tornou permanente.

Gakiya afirma ainda que cerca de 90% da cocaína enviada por via marítima para a Europa tem ligação com o PCC. Estudos citados pelo promotor também indicam que organizações criminosas exercem influência sobre aproximadamente um terço do território brasileiro.

 



Com informações da fonte
https://coisasdapolitica.com/brasil/30/07/2026/pcc-ja-reune-mais-de-40-mil-integrantes-so-no-brasil

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