Viva o vira-lata! Cachorro caramelo ganha música do Farofa Carioca com Frejat e tem muita história pra contar

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O Caramelo está com tudo e não está prosa. O vira-lata mais amado do mundo terá seu dia comemorado na próxima sexta-feira, já foi cogitado para estrelar a nota de 200 reais, protagoniza histórias incríveis e agora, vejam só, é tema de uma música, “Caramelo”, feita pelo Farofa Carioca em parceria com Frejat.

“Desde o início da banda temos o vira-lata como mascote. A gente se reunia num casarão e tinha um cachorro que ficava por lá. Acabou sendo nosso símbolo. A música fala da resiliência, da capacidade que o Caramelo tem de ser duro na queda, arisco”, conta Gabriel Moura, compositor da música ao lado dos colegas da banda e do cantor Frejat.

‘Não compre, adote!’ vira verso e manifesto

“Sabíamos da conexão do Frejat com os vira-latas, que ele tem dois. Foi ele quem sugeriu a gente colocar o verso ‘não compre, adote’ na música”, acrescenta Gabriel, que já teve cachorro, mas agora é pai de um gato chamado Antônio Carlos.

Gabriel Moura já teve cachorro, mas agora está apenas com o gato Antonio Carlos. Por enquanto…

Engraçado é que a canção “Caramelo” mostra aí uma evolução da presença do animal na linha evolutiva da Música Popular Brasileira. Na década de 70, Valdick Soriano lançou “Eu não sou cachorro, não”. O bicho era usado com espelho para um ser humano maltratado. Na década de 80, o escracho de Eduardo Dussek dizia “troque seu cachorro por uma criança pobre”. Agora, o Caramelo ganhou uma canção mais simpática pra ele.

Frejat nem lembrava direito que tinha colocado esse verso. E a recordação veio por causa de sua ligação com a causa animal.

“Na verdade, foi coincidência. Na hora de gravar minha voz lá no estúdio, naquela semana estava tendo uma feira de adoção promovida por uma ONG que eu também tô sempre ajudando a divulgar o trabalho e que tem um trabalho maravilhoso de resgate, recuperação e adoção que é a ONG Indefesos, da Rosana Guerra. E eu ajudo sempre a divulgar essas feiras de adoção e eles têm um trabalho lindo de resgate. Eu mostrei o anúncio de uma feira de adoção. Tinha esse lema, ‘Não compre, adote’. E aí agora me lembraram que ele colocou isso na letra, eu não tinha nem me tocado, foi uma coisa assim, da hora mesmo, do momento do Gabriel, e que realmente faz parte do espírito da música”, lembra Frejat.

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Frejat é um apaixonado por cachorros e apoia a causa animal sempre que tem oportunidade

Na próxima quinta-feira, o Farofa mostra a música, cujo clipe já foi gravado, em show no Teatro Rival.

O vereador Luiz Ramos Filho (PSD), conhecido por sua devoção à causa animal no Rio, celebra o Dia do Vira-Lata Caramelo, mas diz que, infelizmente, há pouco a ser comemorado.

Três mil chamados mensais de abandono e maus tratos

“A prefeitura tem uma média de três mil chamadas por mês para resgate de animais abandonados ou vivendo em condições insalubres. Muitas vezes, não é apenas um animal. Há casos de 50, 70, no mesmo chamado”, conta o vereador, que aposta em campanhas de conscientização e castração para tentar minimizar o problema.

Histórias felizes também acontecem

Apesar de conseguir fazer muito menos do que gostaria, o vereador comemora cada vitória. É o caso do resgate do vira-lata Antares, achado na comunidade de mesmo nome na Zona Oeste do Rio.

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O vereador Luiz Ramos com o vira-lata Antares: final feliz no resgate

“Ele só mexia os olhos. Estava deitado num monte de lixo. Achei que ia morrer. Levamos para o abrigo. Ele foi medicado, ficou uma semana sem se mexer. Mas se recuperou. Levamos para um shopping, gravamos um vídeo e ele foi adotado”, emociona-se Luiz.

Vivi, de sobrevivente a música de pintura

Histórias como essa de encher o coração há muitas. É o caso da vira-latas Vivi, adotada pelo artista plástico Elisael Pereira Barros. Um dia, em seu refúgio, a Praia de Atafona, no Norte Fluminense, ele deu por falta de uma das cadelas que alimentava em seu portão (além dos vários animais que adotou e tem em casa). Foi atrás dela e a encontrou num terreno baldio, cheio de mato e lixo. A bichinha tinha dado à luz vários filhotes.

“Limpamos uma parte do terreno, adaptamos um abrigo e ficamos indo lá todo dia para alimentá-la, enquanto amamentava”, lembra ele.

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Vivi precisava dar o ar da sua graça de novo e mostrar como ficou bonitona

Mas num fatídico domingo, Elisael chegou ao terreno e viu que todos os animais tinham desaparecido. Após uma busca pelo mato e pelo lixo, descobriu que uma filhotinha foi deixada para trás, quase morta. A bichinha tinha uma infecção na perna, praticamente acabara de abrir os olhos após 20 dias de nascida.

“Corremos com ela para o veterinário e foi necessário amputar a perninha dela. Mas Vivi foi forte, sobreviveu, e está conosco até hoje”, conta Elisael, feliz ao lado da bichinha que, mesmo com três pernas, dá saltos de fazer inveja a um canguru.

Vivi, em breve, será modelo de um dos quadros do artista, que costuma retratar a natureza de Atafona e arredores, mas começou uma série tendo os animais resgatados como tema. A exposição ainda não tem data marcada. Elisael tem 17 bichos, entre cães e gatos, em casa. Pelo jeito, muitos quadros e resgates ainda virão.

A melhor cama da exposição de bordado é dele

Os caramelos (qualquer vira-lata, de qualquer cor, é considerado um Caramelo) são tão incríveis que não cansam de protagonizar histórias emocionantes. Algumas engraçadas. Recentemente, na 50 Feira de Bordado de Ibitinga (SP), um cachorro de rua entrou, tomou seu lugar numa cama belíssima da exposição e por lá ficou. Ninguém teve a ousadia de tentar expulsá-lo. Pelo contrário. Ganhou mimos, tornou-se destaque da feira, sucesso nas redes sociais, atraindo mais público, e agora se chama Jumo. Foi adotado.

É Copa do Mundo, amigo Caramelo!

A devoção aos vira-latas ultrapassa fronteiras. Autor do gol do título da Copa do Mundo da Espanha, sobre a Argentina, o atacante Ferran Torres tem alguns cachorros adotados.

“Se eu pudesse, levaria todos os cães abandonados para casa”, diz o jogador.

“Única chance” para quebrar uma maldição

Aliás, por falar em futebol, uma teoria da conspiração que já apareceu até na página do influenciador André Gabeh diz que a seleção brasileira foi amaldiçoada quando um assessor da Confederação Brasileira de Futebol tirou, de forma ríspida, um gato vira-lata que se acomodou na mesa durante uma entrevista coletiva em 2022. Gabeh afirma que somente um trabalho de adoção e doação e remédios e alimentos para abrigos por parte da CBF seria capa de quebrar a maldição.

Talvez fosse o caso de convocar o Caramelo também. Ferran Torres que o diga…

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Paixão do craque da Espanha pelos bichos viralizou nas redes sociais após o título mundial



Com informações da fonte
https://temporealrj.com/caramelo-ganha-musica-frejat-farofa-carioca/

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