- Participação ativa da Câmara com 60 emendas aprovadas
- Avenida da Democracia vai substituir 31 de Março
- Vocação cultural da área é destaque do projeto
- ‘Laboratório da cultura brasileira’ na região
- Empregos com prioridade para quem mora no local
- Segundo prefeito, ‘melhor investimento do Brasil’ está no Praça Onze Maravilha
- Setor imobiliário aposta na valorização da região
“Ó, Praça Onze, tu és imortal! Teus braços embalaram o samba, a sua apoteose é triunfal!”. Foi assim, sob os versos do samba mítico do Império de Serrano de 1982, “Bumbum paticumbum prugurundum”, que o prefeito do Rio, Eduardo Cavaliere (PSD), sancionou nesta quinta-feira (09) a Lei Complementar 301/2026, que cria a Área de Especial Interesse Urbanístico (AEIU) Praça Onze Maravilha.
A partir dela, começa o projeto de reforma urbanística e de infraestrutura que atingirá 458 mil metros quadrados da região histórica, com investimentos de R$ 1,7 bilhão previstos para os próximos 20 anos. O Praça Onze Maravilha prevê 37 mil novas unidades residenciais, seguindo o caminho do que já aconteceu na área portuária e no Centro.
“O projeto é uma oportunidade enorme. Este lugar precisa prosperar. Eu garanto que teremos um olhar que inclua os moradores. Agora, há poucos moradores aqui, alguns vivendo em condições degradantes. Eles serão prioridade. Afinal, são meus vizinhos. A prefeitura fica logo ali. Tratarei esse assunto como uma reunião de condomínio. Para isso, daremos prioridades a pontos como a Vila Operária, que é uma construção única no mundo, misturando várias culturas. Os investimentos vão passar pelo Sambódromo, pela construção de uma nova Apoteose, que vai abrigar equipamentos e eventos que hoje estão no Terreirão do Samba. Estou profundamente consciente do significado histórico desse projeto”, discursou o prefeito.
Participação ativa da Câmara com 60 emendas aprovadas
O presidente da Câmara do Rio, Carlo Caiado (PSD), celebrou a parceria com a prefeitura no processo que levou ao texto final da lei. Ele elogiou a atuação dos vereadores, que apresentaram 180 emendas à proposta original. Destas, 60 foram aprovadas.
“É possível perceber, num momento como esse, a importância de uma Câmara que fez uma agenda muito propositiva, inclusive em questões como transporte público e finanças. Existem projetos que nos desafiam. E um projeto como esse mexe em nosso coração. São decisões que envolvem muita coragem e reflexão”, destacou Caiado.
Avenida da Democracia vai substituir 31 de Março
O prefeito falou também sobre a demolição do Elevado 31 de Março, que criou áreas cinzentas na região, prejudicando bairros como o Catumbi, Santo Cristo e Santa Teresa
“Será importante a implosão do elevado que carrega uma data que precisa ser lembrada: a do início do regime militar — que nem aconteceu em 31 de março. Foi em 1º de abril, as eles mudaram a data porque a outra tem um significado complicado. Derrubando o Elevado 31 de Março, vamos dar espaço à Avenida da Democracia”, disse o prefeito, sendo muito aplaudido.
Vocação cultural da área é destaque do projeto
Outro destaque de Cavaliere foi o investimento em memória e na vocação cultural da Praça Onze. A Biblioteca dos Saberes, que ocupará o lugar onde está hoje o Terreirão do Samba, será projeto do arquiteto Francis Kéré, de Burkina Faso. O profissional é especialista em arquitetura sustentável. Aliás, segundo o prefeito, o local receberá de volta seu chafariz original, que hoje está no Alto da Boa Vista.
“Vamos fazer a Praça Onze sonhada por Heitor dos Prazeres”, prometeu Cavaliere, em referência ao sambista e pintor, um dos mais célebres nomes da história da cultura brasileira.

‘Laboratório da cultura brasileira’ na região
O secretário municipal de Cultura, Lucas Padilha, disse que é fundamental devolver a visibilidade ao que chamou de “um dos territórios culturais mais importantes do Rio”.
“A Praça Onze é um laboratório da cultura brasileira”, diz Padilha, lembrando que foi justamente ali que começou o Maior Espetáculo da Terra, o desfile das escolas de samba, na década de 30.
O secretário municipal de Desenvolvimento Urbano e Licenciamento, Gustavo Guerrante, chamou a atenção sobre o fato de a renovação urbana vir ganhando cada vez mais força no Rio ao longo dos anos, sinalizando uma relação de confiança entre a sociedade e o poder público.
“Hoje ninguém questiona a demolição de um elevado [o 31 de Março]. Lá atrás, quando foi anunciada a demolição da Perimetral [em 2014], teve gente se agarrando aos pilares”, lembra Guerrante.
Empregos com prioridade para quem mora no local
Já a criação de empregos para pessoas que já habitam a região foi o destaque do secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Osmar Lima.
“É fundamental que os moradores tenham prioridade na questão da empregabilidade”, disse, anunciando ainda um Boulevard do Samba na esplanada ao redor do Sambódromo.
O prefeito anunciou também que a lei sancionada nesta quinta-feira inclui a criação do Distrito de Desenvolvimento Econômico da Praça Onze, a ser administrado por representantes da sociedade civil e da prefeitura.
Segundo prefeito, ‘melhor investimento do Brasil’ está no Praça Onze Maravilha
“Precisamos sinalizar à iniciativa privada que o melhor investimento do Brasil está aqui, nesta área”, destacou o prefeito.
O projeto de mudanças na Praça Onze inclui ainda viabilizar a extensão da Linha 2 do metrô, no trecho Estácio–Carioca, prevendo as novas estações Catumbi e Praça Cruz Vermelha.

Setor imobiliário aposta na valorização da região
A Associação dos Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi-RJ) e o Sindicato da Construção Civil (SindusconRio) destacaram que a aposta do setor é na valorização de toda a região a partir da sanção do Praça Onze Maravilha.
“Basta olhar para o exemplo do Porto Maravilha Em 2021, o metro quadrado na região ficava em torno de R$ 5,5 mil, contra os R$ 9 mil de hoje”, observou Cláudio Hermolin, presidente do SindusconRio.
Quem investiu no Porto Maravilha no começo dos projeto de recuperação urbanística teve ganho real, com o investimento registrando valorização acima da inflação no período. E quem comprou imóvel para morar na região, pagou mais barato.
“Mas quem perdeu essa oportunidade agora tem nova chance diante da expectativa de 37 mil novas unidades residenciais no entorno da Praça Onze”, afirmou Leonardo Mesquita, presidente da Ademi-RJ.
Mesquita, que também é vice-presidente da Cury Construtora, destacou que já há lançamentos previstos para a região. O residencial Saudosa Praça Onze é um exemplo, com 495 unidades, entre studios, um e dois quartos, além de lazer completo.
Com informações da fonte
https://temporealrj.com/sanciona-lei-praca-onze-maravilha/

