Dois projetos de lei em tramitação na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) propõem ampliar a conscientização sobre alergias graves e incentivar o acesso ao tratamento emergencial em casos de anafilaxia. As propostas são de autoria do deputado estadual Anderson Moraes (PL) e têm como foco campanhas educativas e mecanismos para facilitar o acesso à adrenalina autoinjetável, considerada essencial em crises alérgicas severas.
As medidas abrangem alergias provocadas por alimentos, medicamentos, substâncias químicas, agentes ambientais e picadas de insetos. O objetivo é preparar a população para reconhecer rapidamente sinais de reações graves e agir diante de situações de emergência.
Segundo Anderson Moraes, ainda existe falta de informação sobre os riscos das alergias severas e isso é essencial para salvar vidas. “Muitas pessoas ainda enxergam alergia como algo simples, quando na verdade ela pode matar em poucos minutos. Informação e resposta rápida salvam vidas”, afirmou o parlamentar.
Entre os pontos previstos nos textos estão campanhas de conscientização em escolas e espaços públicos, divulgação de informações sobre sintomas e orientações sobre procedimentos emergenciais. As propostas também incentivam parcerias entre hospitais, unidades de saúde, instituições de ensino e entidades da sociedade civil para fortalecer a rede de prevenção e atendimento.
Outro eixo das propostas é ampliar a disponibilidade da adrenalina autoinjetável no Estado. Atualmente, o acesso ao medicamento ainda enfrenta limitações no Brasil, principalmente devido ao alto custo e às dificuldades de comercialização e importação.
A alergista Aline Martinez afirma que o número de pacientes com alergias respiratórias e alimentares tem aumentado nos últimos anos, especialmente em grandes centros urbanos. Segundo ela, em casos de anafilaxia, a adrenalina é o principal recurso para estabilizar o paciente.
“Os pacientes muitas vezes chegam às emergências em estado grave, e a adrenalina é o único método aplicado para estabilização e evitar a morte”, explicou a médica.
A importância do acesso rápido ao medicamento também é destacada por pacientes que convivem com o risco de crises severas. Vitória Pereira de Carvalho, que possui alergias alimentares e medicamentosas, relata a necessidade de carregar adrenalina para situações emergenciais.
“Tenho alergia a alguns medicamentos e, quando ocorre a crise, o uso da adrenalina é essencial para o meu restabelecimento”, afirmou.
Os projetos também tratam da capacitação da população para agir corretamente em casos de emergência alérgica e reforçam a necessidade de ampliar a segurança em ambientes públicos e privados.
Especialistas apontam que o crescimento dos casos de alergias alimentares e medicamentosas, principalmente entre crianças, exige maior atenção à prevenção e ao atendimento rápido. Em muitos casos, o desconhecimento sobre os sintomas e a demora no socorro agravam quadros que poderiam ser revertidos com intervenção imediata.


