Ex-prefeito é preso por assassinato de ambientalista que era contra exploração de mina em reserva natural em Honduras

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O ambientalista hondurenho Juan López no rio Guapinol, nos arredores de Tocoa, Honduras, em setembro de 2021; ele foi assassinado três anos depois — Foto: Orlando Sierra / AFP


A polícia de Honduras prendeu, nesta terça-feira (12), um ex-prefeito acusado de ser o mandante do assassinato, em 2024, do ambientalista Juan López, informou a instituição. López, morto a tiros em 14 de setembro daquele ano ao sair de uma igreja na localidade de Tocoa, se opunha à exploração de uma mina de óxido de ferro em uma reserva natural no nordeste do país.

Adán Fúnez, prefeito de Tocoa na época do crime, e outro homem foram presos, apontados como os “autores intelectuais” do crime, condenado pela ONU e pelo papa Francisco.

Dias antes do ataque, López, que tinha 46 anos, havia pedido publicamente que Fúnez renunciasse após a divulgação de um vídeo de 2013 no qual o funcionário aparecia negociando supostos subornos com narcotraficantes.

Fúnez, de 76 anos, “teria financiado a execução” do homicídio, enquanto Héctor Méndez supostamente atuou como “intermediário entre o prefeito e os pistoleiros”, informou a polícia em um comunicado. As autoridades procuram um terceiro homem suspeito de coordenar a “logística” do ataque, enquanto outros três respondem a processo como autores materiais.

Fúnez pertence ao partido esquerdista Libre, que governava Honduras quando o também vereador e líder comunitário foi assassinado. A Comissão Interamericana de Direitos Humanos havia concedido medidas cautelares a López em 2023.

No vídeo que mostra o ex-prefeito reunido com os supostos narcotraficantes, apareciam outros dirigentes do Libre, entre eles o deputado Carlos Zelaya, irmão do ex-presidente Manuel Zelaya (2006-2009).

Xiomara Castro, esposa do ex-presidente, governava na época do crime e expressou seu “repúdio” então. Fúnez, por sua vez, negou qualquer envolvimento no crime, enquanto o legislador renunciou ao seu mandato.

Em uma entrevista à AFP em 2021, López falou sobre os riscos enfrentados pelos ambientalistas em Honduras.

— Quando uma pessoa se dedica a defender os bens comuns neste país (…), entra em choque com os grandes interesses — disse.

Seu caso se somou ao da reconhecida ambientalista hondurenha Berta Cáceres, assassinada em 2016 em um dos países mais letais para ativistas ambientais, segundo a ONG Global Witness.



Com informações da fonte
https://oglobo.globo.com/mundo/epoca/noticia/2026/05/12/ex-prefeito-e-preso-por-assassinato-de-ambientalista-que-era-contra-exploracao-de-mina-em-reserva-natural-em-honduras.ghtml

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