Companhia passou por turnaround financeiro e operacional, melhorando indicadores de qualidade do serviço prestado e produtividade
A renovação da concessão da Light pelo Ministério de Minas e Energia (MME), nesta sexta-feira (08/05), por mais 30 anos, após recomendação da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), marca o início de um novo ciclo para a companhia e o setor energético do Rio de Janeiro. A decisão se deu após a verificação de que a empresa cumpriu os principais critérios regulatórios de continuidade do serviço, sustentabilidade econômico-financeira e qualidade operacional exigidos pelo Decreto nº 12.068/2024, normativa que estabeleceu parâmetros para a renovação de contratos de distribuição de energia elétrica no Brasil.
Nos próximos cinco anos, a Light vai investir cerca de R$ 10 bilhões, uma média de R$ 2 bilhões por ano, nos 31 municípios de sua área de concessão. O valor é mais que o dobro do realizado nos últimos anos. A concessionária atende 4,3 milhões de unidades consumidoras em 31 municípios do estado do Rio, ou cerca de 12 milhões de pessoas.
“O plano de investimentos reafirma nosso compromisso com a modernização da rede elétrica e a melhoria contínua da qualidade do serviço para os cidadãos cariocas e fluminenses. Isso só foi possível devido à redução drástica de endividamento promovida pela negociação junto aos credores, além de avanços robustos nos indicadores operacionais. A gestão pautada no caixa, saneamento da operação e busca de um contrato que observe condições importantes na área de concessão foi vital para alcançar este marco”, explica Alexandre Nogueira, CEO da Light.
Segundo ele, a Light mirou sempre em três pilares para buscar sustentabilidade: financeiro, operacional e regulatório. O foco principal do investimento será a renovação, modernização e digitalização da rede. “Realizamos, nos últimos anos, um trabalho com resultados expressivos em uma área de concessão complexa, com a segunda maior base de ativos do país e a mais depreciada. O novo contrato dá à Light sustentabilidade para realizar esses investimentos, seguir melhorando o serviço e voltar a remunerar os acionistas”, afirma o executivo.
A modernização e a ampliação da infraestrutura são pilares da estratégia da Companhia para os próximos anos, além da implementação de tecnologias que elevem a confiabilidade, a resiliência e a eficiência da rede de distribuição de energia.
Entre as principais ações estão a renovação da infraestrutura existente, substituição de equipamentos antigos, a automação de redes e o uso de aplicações e sistemas modernos para reduzir interrupções, otimizar a manutenção e reforçar a qualidade do serviço. “Investir na renovação é cuidar da base que sustenta todo o sistema elétrico”, diz Nogueira.
O novo ciclo de investimentos pretende também enfrentar desafios históricos da concessionária, como a redução das perdas técnicas e comerciais. Outro objetivo é preparar a Light para lidar com demandas futuras de consumo de energia, em função de data centers e do aumento do uso da Inteligência Artificial em todos os setores. Além de fortalecer a rede para enfrentar eventos climáticos extremos, como ondas de calor intenso e tempestades cada vez mais fortes.
Áreas de risco
O novo contrato de concessão foca na melhoria do atendimento. Também pressupõe que áreas de risco devem ser consideradas e tratadas de maneira distinta. A forma como essas áreas serão tratadas ainda está em discussão na Aneel, que deve regulamentar o assunto ao longo desse ano. “A possibilidade de uma tarifa específica para áreas de risco, trazida no novo arcabouço contratual, é fundamental para redução de furto e inadimplência”, afirma o CEO.
Aumento de capital
O Plano de Recuperação Judicial da Light prevê um aumento capital na distribuidora, a ocorrer dentro do prazo de 90 dias após a renovação da concessão, ancorado pelos acionistas de referência. O valor pode ficar entre R$ 1 bilhão e R$ 1,5 bilhão. “Os trabalhos intensos realizados nos últimos anos tiveram o objetivo de arrumar a casa e renovar a concessão. Estes investimentos de agora são o último ato para que a empresa finalmente saia da recuperação judicial e encerre esse ciclo”, ressalta Nogueira.
Os recursos serão destinados a renovação de ativos, expansão, recuperação de energia e gastos com tecnologia da informação e patrimônio, entre outros. Os investimentos foram debatidos e refinados com as prefeituras dos 31 municípios da área de concessão, para garantir o atendimento da necessidade de cada um desses municípios.
A virada em números
Ao longo dos últimos anos, a concessionária enfrentou desafios significativos. A companhia entrou em recuperação judicial, em maio de 2023, buscando reorganizar suas finanças e garantir a continuidade de suas operações. A aprovação e homologação do Plano de Recuperação Judicial (PRJ), em 18 de junho de 2024, representou um marco decisivo, abrindo caminho para a sua retomada da sustentabilidade econômico-financeira.
“A empresa, mesmo diante do cenário de recuperação judicial, sempre manteve seus pagamentos a fornecedores e colaboradores, além de suas obrigações operacionais, regulatórias e setoriais. Ainda assim, em 2023, investiu R$ 824 milhões e, no ano seguinte, o investimento subiu para R$ 967 milhões. Já em 2025, os acionistas deram suporte à aceleração do plano e o investimento atingiu R$ 1,6 bilhão. Para este ano, a perspectiva é que o investimento seja entre R$ 1,8 bilhão e R$ 2 bilhões”, comenta Nogueira sobre a confiança dos acionistas no processo.
Desde então, foram conquistadas inúmeras melhorias. A reestruturação concluída ao final de 2024 reduziu a dívida da Distribuidora em 44%, de R$ 10,8 bilhões, a valor de face pré-efeitos da RJ, para R$ 6,0 bilhões a valor justo, no âmbito do Plano de Recuperação Judicial. Em dezembro de 2025, a dívida da Distribuidora totalizou R$ 6,4 bilhões.
Os indicadores operacionais melhoraram. A Light Distribuidora registrou uma redução de aproximadamente 8 p.p. nas interrupções superiores a 24 horas em 2025, em comparação a 2024, reforçando os ganhos operacionais decorrentes das iniciativas adotadas e a maior eficiência dos processos de campo. A duração equivalente das interrupções no fornecimento (DEC) foi de 6,53 horas no acumulado de 12 meses, 4% abaixo do limite regulatório da Aneel (6,80 h). A frequência equivalente de interrupções (FEC) encerrou o período em 3,27 vezes, permanecendo 27,3% abaixo do limite regulatório (4,50x).
No ano passado, a empresa ficou 5 meses entre os dez melhores resultados de Tempo Médio de Atendimento (TMA), quando comparado ao histórico da Light desde 2015. Os índices apresentam uma melhoria de 42%, no acumulado de 2025, em relação ao acumulado de 2024, o que representa uma evolução no atendimento ao cliente. O TMA caiu de 1.251 minutos em dezembro de 2023 para 567 minutos em dezembro de 2025. No início da estabilização do processo, a Light aumentou as equipes de campo, melhorou a logística operacional, inseriu moto-atendimento e callback automatizado, entre outras medidas.

