Mapa do Crime de SP: roubo de celular na Marginal Tietê cresce ao menos 80% em dois anos

Tempo de leitura: 11 min
Roubos de celular nas marginais incluem casos de 'quebra-vidro' — Foto: Editoria de arte/ O GLOBO




Os roubos de celulares registraram alta de ao menos 80% na Marginal Tietê, via que corta parte das zonas Norte e Leste da cidade de São Paulo, entre 2023 e 2025. O aumento pode ser observado no Mapa do Crime do GLOBO, ferramenta interativa de monitoramento de roubos em que é possível consultar o número de casos por rua da capital paulista.
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Os crimes se concentram em lugares específicos das marginais (veja em mapa ao longo da reportagem). Na Tietê, os registros pularam de 276 roubos em 2023 para 593 no ano passado, segundo dados do Mapa do Crime, um aumento de 114%, considerando todas as pistas da marginal, em ambos os sentidos, além de seis avenidas que compõem a pista local.
A Secretaria de Segurança Pública (SSP) de São Paulo informa que contabilizou, no entanto, 517 ocorrências de roubo de celular em 2025 na Marginal Tietê e nas vias que a compõem, um aumento de 80% nos casos, e afirma que os crimes diminuíram em 6% na Marginal Pinheiros (veja posicionamento completo ao fim da matéria). A pasta também informa que os roubos de celular caíram em 20% na cidade como um todo no primeiro trimestre.
Os dados do Mapa do Crime usam a base de ocorrências disponibilizada no site da SSP, mas a ferramenta classifica os crimes em categorias diferentes das adotadas pela pasta e contabiliza os casos pela data em que ocorreu o crime, não o momento do registro. A equipe que elaborou a ferramenta também aprimorou os dados disponibilizados na base, unificando endereços com múltiplas nomenclaturas, entre outras correções. A ferramenta mostra uma alta de 13% nas ocorrências na Marginal Pinheiros, de 339 para 384 casos no ano passado.
Na Tietê, os trechos com maior concentração de casos incluem entradas de lojas de material de construção e material esportivo, restaurantes e postos de gasolina, além de alças de acesso de pontes e trechos nas pistas centrais e expressa.
A dinâmica se repete na Pinheiros, com roubos concentrados em entradas de shoppings como o Villa Lobos e o Nações Unidas, além de pontos próximos a entradas de estações de trem e metrô e edifícios comerciais.
Os criminosos se aproveitam dos momentos de trânsito intenso para roubar os celulares quebrando os vidros dos carros, e por vezes se disfarçam de vendedores ambulantes para abordar as vítimas. A polícia também já investigou casos em que os criminosos jogavam pregos jogados nas pistas da marginal Tietê, de madrugada, para furar os pneus de carros e caminhões e obrigar os motoristas a pararem. É o momento que os ladrões atacam, caso de um grupo conhecido como “gangue da marginal”, que levou a uma investigação que prendeu mais de 20 pessoas entre 2025 e o início deste ano.
As ocorrências nas marginais se concentram em especial nos horários da noite, com mais da metade dos roubos entre 18h e 23h, com maior incidência às 19h, e durante a semana, com terça e sexta-feira como os momentos de maior concentração.

Susto no trânsito
A estudante de arquitetura Maysla Araújo, de 24 anos, voltava da faculdade de carro de aplicativo em maio do ano passado quando foi alvo de um criminoso. Era por volta de 21h30 de uma quinta-feira, e ela estava parada no trânsito da Avenida Presidente Castelo Branco, na Marginal Tietê, antes da ponte Cruzeiro do Sul, em um local que registrou 12 roubos no ano passado.
— O ladrão quebrou o vidro e foi caco para todo lado, entrou dentro da minha roupa. E eu só peguei o celular rapidamente, para mandar uma mensagem para minha mãe, porque já evito usar o telefone no carro por medo desse tipo de roubo — diz Maysla. Ela acabou recuperando o celular, já que logo atrás policiais civis circulavam em uma viatura descaracterizada e prenderam o bandido em flagrante.
— A queda dos indicadores gerais não significa redução homogênea no território. O que vemos é uma reorganização espacial do crime. As marginais concentram justamente elementos que hoje parecem muito compatíveis com a lógica mais recente do roubo de celular: grande circulação de pessoas, intensa população flutuante, concentração de comércio e serviços e elevada mobilidade urbana — diz Marcelo Batista Nery, doutor em sociologia e pesquisador do Núcleo de Estudos da Violência da USP.
Pontos críticos

O ponto mais crítico da Marginal Tietê fica entre a ponte da Vila Guilherme e a Ponte da Vila Maria, no lado que vai para a Zona Leste da cidade. O trecho, na pista local, na Avenida Presidente Castelo Branco, uma das muitas avenidas que compõem as marginais, registrou 50 roubos em um raio de 200 metros. O trecho conta com ponto de ônibus e também duas churrascarias.
Outras áreas de alerta da Tietê são a saída de uma loja de artigos esportivos, na Barra Funda, onde foram 30 roubos, e a entrada de lojas de material de construção, pouco depois da Ponte da Freguesia do Ó, com 34 roubos, além de alças de acesso de pontes como a do Piqueri, com 18 roubos.
— Locais como saídas de shopping, restaurantes, grandes lojas e acessos a pontes combinam desaceleração do fluxo, maior distração das pessoas, momentos de embarque e desembarque, uso intenso do celular e concentração em pontos de ônibus — diz Nery.
Na Pinheiros, os roubos se acumulam em lugares como a entrada do shopping Villa-Lobos, com 17 casos; pontos em meio às pistas expressa e local, como um logo após a Ponte Cidade Universitária, no sentido da Zona Sul, com 25 ocorrências; e as proximidades da estação Pinheiros e entrada de um edifício corporativo, na altura da Rua Pais Leme, com 13 roubos.
Em meio ao trânsito, aparecem casos de roubo do tipo “quebra-vidro”, como o de Maysla, e que são um dos motivos para a queda nos roubos na região central, como mostrou O GLOBO. Mas também aparecem criminosos que se disfarçam de vendedores ambulantes para, armados, abordarem vítimas.
Em uma quarta-feira de fevereiro do ano passado, um casal foi roubado e agredido parado no trânsito da Marginal Tietê, por volta de 19h, na altura da Ponte das Bandeiras. O caso foi filmado pelas câmeras do carro do motorista de aplicativo que levava a dupla. Um ladrão que fingia vender guloseimas no acostamento da pista expressa apontou uma arma para o carro, obrigou os passageiros a baixarem os vidros e levou celulares e um anel de ouro avaliado em R$45.000 do casal. Antes, deu uma coronhada no rosto da mulher. Ele acabou preso dias depois, após ser identificado pela polícia nas filmagens.
Veja a íntegra do posicionamento da Secretaria de Segurança Pública:
A SSP informa que dedica atenção ao combate a todas as modalidades criminosas, incluindo roubos e furtos de celulares, e vem desenvolvendo desde o início da atual gestão diversas iniciativas, como o programa SP Mobile, sistema que cruza dados de operadoras telefônicas e boletins de ocorrência para rastrear aparelhos com registro criminal. Desde a implantação do programa, mais de 23,5 mil celulares foram recuperados em todo o Estado, sendo cerca de 34% já devolvidos às vítimas.
Apenas na última etapa da ação, realizada na segunda-feira (27), 383 aparelhos foram restituídos. Também houve redução de 20% nos roubos de celulares e de 2,4% nos furtos desses aparelhos no primeiro trimestre deste ano.
Os roubos em geral apresentaram queda de 14,34% e os furtos em geral de 1,33% no mesmo período. É importante ressaltar que cada região possui características populacionais, sazonais e geográficas distintas, que impactam diretamente os indicadores criminais.
Nos trechos ligados à Marginal Pinheiros mencionados pela reportagem houve redução de 6% nos roubos de celulares. Já na Marginal Tietê, diferentemente do informado, os registros passaram de 286 casos de roubo de celular em 2023 para 517 ocorrências em 2025.
A SSP destaca ainda que todos os casos registrados são investigados pela Polícia Civil, que também analisa as imagens apresentadas pela reportagem. A Polícia Militar mantém operações estratégicas contínuas para combater diferentes modalidades criminosas, com atuação integrada entre comandos, batalhões e companhias, além do apoio de tecnologias de monitoramento, drones, cães farejadores e sistemas de inteligência policial.
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Com informações da fonte
https://oglobo.globo.com/brasil/noticia/2026/05/07/mapa-do-crime-de-sp-roubo-de-celular-na-marginal-tiete-cresce-ao-menos-80percent-em-dois-anos.ghtml

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