Debate vira pauta central no estado
O debate sobre o uso de banheiros femininos explodiu de vez no Rio de Janeiro — e agora virou pauta central na política fluminense. O tema ganhou força após declarações da atriz Cássia Kis e voltou aos holofotes com um episódio recente na Barra da Tijuca envolvendo a vereadora de Niterói Benny Briolly (PSol). O que antes era discussão pontual virou confronto direto entre visões opostas — e com potencial de impacto em todo o estado.
Projeto na Alerj acende o debate
Na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, a deputada Índia Armelau (PL) colocou lenha na fogueira ao protocolar o Projeto de Lei nº 7557/2026, que cria a Política Estadual de Proteção da Mulher. Em declaração contundente, afirmou: “Nós queremos resolver a situação do banheiro. O nosso problema não é com a trans que se respeita, mas com homens que se aproveitam disso. Isso abre uma porta para pedófilos, assediadores e estupradores. É disso que estamos nos defendendo.”
Propostas avançam em mais de uma frente
A proposta não surge isolada. Também tramita na Alerj um projeto do ex-deputado Douglas Gomes (PL) com a mesma linha: restringir o acesso a espaços femininos com base no sexo biológico. Na justificativa, o parlamentar sustenta que a medida busca evitar que mulheres “fiquem expostas ao risco de assédio por criminosos que se aproveitam da situação”.
Niterói vira novo foco da disputa
E é justamente em Niterói que o debate promete ferver ainda mais. A vereadora Fernanda Louback (PL) articula nos bastidores para destravar outro projeto de Douglas Gomes sobre o mesmo tema, apresentado em 2022 e que encontra-se parado. Em discurso direto, Louback declarou: “O banheiro feminino foi uma conquista das mulheres para garantir privacidade e segurança. Lutem por um banheiro para vocês. Respeitem para serem respeitados.”
Vereadora do Rio reforça defesa dos espaços femininos
Na Câmara do Rio, a discussão ganha reforço de outras vozes políticas, como a vereadora Alana Passos (PL), que também tem defendido publicamente a preservação de espaços femininos. “Eu não aceito ser chamada de pessoa que gesta. Nós mulheres lutamos muito para conquistar nossos espaços, e isso é uma falta de respeito”, afirmou.
Reação e embate jurídico no horizonte
Do outro lado, a reação é igualmente dura. Benny Briolly elevou o tom e prometeu acionar a Justiça contra o que considera ataques aos direitos da população trans: “Todas as criminosas recalcadas como a Cássia Kis serão processadas toda vez que tentarem tocar em cada uma de nós.”
Estado dividido e sem consenso
O embate escancara a divisão: de um lado, parlamentares que defendem medidas de proteção para mulheres; do outro, lideranças que veem nas propostas uma violação de direitos e um retrocesso. O fato é um só: o Rio virou palco de uma das discussões mais sensíveis e explosivas da atualidade — e essa disputa está longe de acabar.

