Roberta Hipólito enfrenta dificuldades para liberar o corpo do marido do IMLReginaldo Pimenta/Agência O DIA
“Estou abalada, transtornada com tudo que eu vivi. Além de tudo ainda tem que esperar porque os documentos foram levados da nossa casa, tanto dele como o meu, por isso não foi liberado o corpo ainda”, afirmou.
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Os dois são naturais do Piauí, no Nordeste, e estavam casados há três anos. Para Roberta, o sentimento agora é de desejo de justiça.
“Eu espero que a situação seja esclarecida, que a verdade venha à tona, que seja realmente descoberto quem fez isso com o meu marido. Eu sei, mas eu quero que seja provado. E é isso que eu quero, que quem fez isso com ele pague, eu sei que não vai trazer a vida dele de volta, mas eu quero justiça pelo meu marido, porque ele era um trabalhador, um homem de bem que foi morto como um bandido”, lamentou.
De acordo com viúva, não houve confronto. Ela desmente a versão da PM e alega que os policiais entraram na sua casa jogando uma granada no portão e atirando em seguida.
“Estávamos dormindo, eram umas 7h30/7h40. A gente foi acordado por esses garotos que entraram na casa, pediram pra ele segurar o cachorro para não latir, pediram para eu me vestir, eu me vesti e ficaram todos lá no chão do quarto. Até que a polícia chegou e começou a atirar (…) Não teve confronto, arrebentaram a minha porta com granada, não teve negociação nenhuma, só falavam pra colocar os fuzis para fora, e os bandidos não falaram nada”, frisou.
“Eu fui lá ontem bem rapidamente para pegar uma roupa, mas nem uma roupa consegui pegar porque estava tudo sujo de sangue, de cérebro”, disse emocionada.
Roberta contou também que após os tiros, foi induzida por um agente a falar na delegacia que a morte do marido foi provocada pelos bandidos.
De acordo com a Polícia Civil, a investigação está em andamento na Delegacia de Homicídios da Capital (DHC). Diligências são realizadas para apurar os fatos.
O que diz a PM?
Em entrevista coletiva após a ação da quarta (18) – que resultou na morte também do chefe do tráfico da localidade, Claudio Augusto dos Santos, o “Jiló dos Prazeres” – o tenente-coronel Marcelo Corbage, comandante do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), informou que houve confronto entre agentes e criminosos, e que seis bandidos foram mortos dentro da casa de Leandro;
“Eles entraram na residência, colocaram um casal como refém e no momento que a gente estava buscando uma solução pacífica, houve disparos de dentro da residência, na qual o senhor Leandro acabou sofrendo o primeiro PAF (perfuração por arma de fogo) na região da cabeça. Então a nossa tropa respondeu imediatamente o fogo, onde houve essa ação de neutralização (execução) desses seis criminosos”, explicou.
Ainda durante a operação, policiais detiveram quatro pessoas que tentavam bloquear vias do entorno, no bairro do Rio Comprido.
Já nesta quinta (19), a PM enviou uma nota lamentando a morte e informando que há um procedimento interno em andamento. A corporação ressaltou que apenas após a realização da perícia técnica será possível esclarecer todos os fatos.
Confira a nota na íntegra:
A Assessoria de Imprensa da Corporação esclarece que, assim como acontece em todas as ocorrências com resultado morte, o caso que resultou no óbito do morador e de outros seis acusados é alvo de procedimento apuratório interno, além da investigação da Polícia Civil.
Somente após a realização da perícia técnica será possível determinar, com precisão, todos fatos e circunstâncias ocorridos durante a ação desta quarta-feira (18).
Ressaltamos que a Corporação preza pela transparência de suas ações e colabora integralmente com as investigações do caso.”
Insegurança na região
As lojas chegaram a abrir por volta das 9h, mas funcionaram por menos de 2h na Rua Estrela. Logo em seguida, três linhas tiveram itinerários impactos preventivamente por questões de segurança. São elas: 133 Largo do Machado x Terminal Gentileza; 607 Cascadura x Rio Comprido; e 711 Rocha Miranda x Rio Comprido.


