Israel diz ter matado comandante da Basij, milícia do regime iraniano, em Teerã

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Foto de arquivo mostra o então líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, ao lado de comandantes iranianos passando por membros da milícia Basij durante uma reunião em Teerã, em 26 de novembro de 2007 — Foto: ISNA/AFP


O Exército israelense anunciou nesta terça-feira que matou, em um ataque em Teerã, o general Gholamreza Soleimani, comandante da milícia islâmica de voluntários Basij, responsável pela manutenção da ordem no Irã.

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“Ontem (segunda-feira), a Força Aérea israelense, com base em informações (militares), localizou e eliminou Gholamreza Soleimani”, afirma um comunicado militar israelense.

A nota acrescenta que ele morreu em “um ataque seletivo em Teerã”.

O que sabe sobre a Basij?

Criado logo após a Revolução Islâmica de 1979, o Basij — termo que significa “mobilização”, em farsi (ou persa) — foi idealizado pelo aiatolá Ruhollah Khomeini como uma força popular capaz de defender o regime que se iniciava. À época, o líder religioso chegou a afirmar que o Irã jamais poderia ser derrotado se contasse com uma milícia de 20 milhões de homens.

O Basij, formalmente, é um grupo paramilitar voluntário subordinado à Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC, na sigla em inglês), a força de elite das tropas iranianas, que responde diretamente ao líder supremo do país. Ao longo dos anos, a milícia consolidou-se como um instrumento central da segurança interna e da imposição da ideologia do Estado.

Membros das forças iranianas de Basij simulam prisão de homem com máscara do rosto do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, durante protesto pró-palestinos em Teerã — Foto: AFP

A organização recruta membros tanto em áreas rurais quanto urbanas e se estrutura principalmente a partir de mesquitas em Teerã e em outras grandes cidades. Seus integrantes, em geral, vêm de camadas mais pobres e conservadoras da população, segundo especialistas ouvidos pela CNN.

A missão do Basij vai além do policiamento convencional. A força atua para sustentar a teocracia iraniana, fazer cumprir códigos de moral islâmica e conter manifestações consideradas ameaças ao regime. Há décadas, o grupo é apontado como protagonista na repressão violenta a protestos e movimentos de contestação.

O papel da milícia ganhou notoriedade internacional durante a guerra Irã-Iraque, entre 1980 e 1988, quando seus integrantes participaram de ataques em “ondas humanas”, usados, segundo relatos, para limpar campos minados antes do avanço das tropas regulares. A partir de 2003, o Basij passou por um reforço significativo, ao ser concebido como primeira linha de defesa interna diante do temor de uma possível invasão liderada pelos Estados Unidos. Desde então, tornou-se presença recorrente nos estágios iniciais de revoltas e distúrbios.

Os Estados Unidos impuseram sanções ao Basij e a comandantes da força em diversas ocasiões, citando violações de direitos humanos, repressão a protestos estudantis e denúncias de uso de crianças-soldados.

Ataque contra Ali Larijani

O Exército israelense tentou eliminar o atual chefe do Conselho Supremo de Segurança, Ali Larijani, em um bombardeio realizado na madrugada desta terça-feira, segundo a mídia israelense. Os resultados de um suposto ataque contra a figura-chave do poder iraniano, “ainda estão sendo avaliados”, segundo o canal N12.

“Ali Larijani foi alvo de uma tentativa de eliminação”, afirmou a emissora pública israelense Kan.

“Miramos integrantes dos Guardiões da Revolução do aparato repressivo do regime”, declarou o Exército, citando em comunicado seu chefe do Estado-Maior. “Nesta noite houve resultados preventivos importantes, que podem influenciar a continuidade das operações e dos objetivos do Exército israelense”, afirmou o tenente-general Eyal Zamir.



Com informações da fonte
https://oglobo.globo.com/mundo/noticia/2026/03/17/israel-diz-ter-matado-comandante-da-basij-milicia-do-regime-iraniano-em-ataque-em-teera.ghtml

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