A 19ª DP (Tijuca) indiciou três funcionários do Shopping Tijuca, na Zona Norte do Rio, e dois da loja Bell’Art pelo incêndio em janeiro que deixou dois brigadistas mortos e outras cinco pessoas feridas. Eles foram indiciados pelos crimes de incêndio doloso qualificado por morte, lesão corporal culposa, crime de perigo para a vida ou saúde e fraude processual.
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Os funcionários do Shopping Tijuca indiciados são a superintendente Adriana Santilhana Nietupski, a gerente de Negócios Renata Barcelos Pereira Noronha e o gerente de Operações Pedro Paulo Alvares Moreira. Os da Bell’Art, que foi o foco do incêndio, são o gerente Fabio de Arruda Soares e o subgerente Felipe Gonçalves Franciscone.
O incêndio começou no subsolo do shopping na noite de 2 de janeiro e rapidamente a fumaça tomou conta do pavimento. A brigadista Emellyn Silva Aguiar foi uma das brigadistas a realizar o combate às chamas, mas desmaiou e morreu após inalar a fumaça. O supervisor de segurança Anderson Aguiar, que também era bombeiro civil, foi em busca da colega, mas também acabou morto após ingerir a fumaça.
— Foi uma sucessão de falhas que culminaram na tragédia do dia 2 de janeiro — diz Maira Rodrigues, delegada adjunta da 19ª DP e responsável pelas investigações do caso.
Demora de evacuação e o combate ao incêndio no Shopping Tijuca
Imagens das câmeras de segurança do shopping Tijuca mostram que o edifício só começou a ser evacuado 11 minutos após o primeiro alerta de incêndio na loja Bellart e, cerca de uma hora depois, alguns clientes ainda conseguiram entrar no prédio. O acidente deixou dois funcionários mortos: a brigadista Emellyn Silva Aguiar Menezes e o supervisor de segurança Anderson Aguiar. Os vídeos, revelados pelo RJ2, mostram os últimos momentos dos dois no combate às chamas. A Polícia Civil investiga o caso.
O incêndio começou por volta das 18h e nove minutos depois as imagens já mostram Emellyn se equipando com roupas especiais e um cilindro de oxigênio para atuar no combate ao fogo. Em paralelo, Anderson Aguiar foi o primeiro a chegar no local com uma mangueira, que parece não ter pressão. Ele também tinha formação de bombeiro civil e correu para ajudar no primeiro combate. No entanto, nos primeiros minutos iniciais do fogo muitas pessoas permaneciam nas lojas e quiosques ao lado sem perceber o risco.
Dia seguinte ao incêndio no Shopping Tijuca
Fogo começou em loja de materiais de decoração e itens para casa no subsolo por volta das 18h de sexta-feira.
Cerca de 11 minutos após o primeiro alerta interno, um segurança começa a orientar o público a deixar o subsolo, mas outra câmera mostra que os elevadores continuaram funcionando e até duas clientes chegam desavisadas 30 minutos após o início do incêndio. Até cerca de uma hora depois, ainda tinham clientes em outros andares do edifício de 10 pavimentos.
As imagens mostram a entrada da equipe de três brigadistas na loja para tentar apagar o fogo. A brigadista Emellyn chega a retornar para pedir ajuda com seu equipamento. Por volta das 18h 20, ela volta para o interior da Bellart e não é mais vista. Dez minutos depois, um dos brigadistas deixa a loja em meio a fumaça e cambaleando. Logo em seguida, Anderson Aguiar entra no estabelecimento para tentar resgatar as outras duas bombeiros civis e também não é mais visto.
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Anderson foi resgatado cerca de duas horas depois pelo Corpo de Bombeiros no mezanino da loja, onde houve o início das chamas. Ele foi levado a uma ambulância do SAMU, onde tentaram reanimá-lo por mais de 30 minutos. Depois, foi levado ao Hospital Municipal Souza Aguiar e já chegou morto. Já a brigadista foi encontrada já morta pela madrugada no primeiro piso da loja. Ela morreu por asfixia.
Em depoimento, a mãe de Emellyn contou que a filha se dizia preocupada com a quantidade de gás nos cilindros de oxigênios. Ela teria dito que tinha a impressão do equipamento estar pesando a metade do ideal. A bombeira civil também teria reclamado de defeitos na máscara de proteção e problemas no sistema de combate a incêndio.
O diretor de operações da empresa CM Couto, empresa que presta serviços de brigada de incêndio no shopping afirmou, contudo, que os equipamentos eram recentes e foram supervisionados dois meses antes do acidente.
A posição do Shopping Tijuca
““O shopping informa que os protocolos de emergência foram cumpridos e 7 mil pessoas foram evacuadas em segurança.
A loja foi esvaziada em cinco minutos pela brigada. O subsolo, área crítica naquele momento, foi evacuado em 12 minutos, antes mesmo da chegada dos bombeiros. Os seis pisos superiores começaram a ser evacuados de forma gradual, evitando acidentes ou pânico.
Em relação ao hidrante, a manutenção e verificação do funcionamento dos equipamentos internos das lojas são de responsabilidade dos lojistas, conforme previsto nas normas e contratos aplicáveis.
Para o primeiro combate ao incêndio, até a chegada e assunção da ocorrência pelo Corpo de Bombeiros, a brigada do shopping utilizou o sistema de combate a incêndio disponível no corredor do subsolo. Todos os equipamentos e sistemas do shopping passam por inspeção rotineira.
Sobre os cilindros da brigada, estes equipamentos são fornecidos e supervisionados pela CMCouto, empresa especializada que presta serviços de brigada para o shopping.
O shopping reafirma sua colaboração permanente com as investigações”.
