A Polícia Civil de Santa Catarina finalizou nesta terça-feira a investigação sobre a morte do cachorro Orelha e os maus-tratos ao cão Caramelo, crimes ocorridos na Praia Brava, em Florianópolis. A corporação aponta um adolescente como agressor de Orelha e pede a internação do jovem — o que é equivalente a uma prisão de adulto. Além disso, foram indiciados três maiores por coação a testemunha neste caso.
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Quatro menores foram identificados como autores do crime contra Caramelo, por sua vez. O vira-lata foi levado ao mar e submetido a uma tentativa de afogamento no mesmo dia do ataque à Orelha. O animal conseguiu escapar e foi adotado pelo delegado-geral da corporação, Ulisses Gabriel. Foi concluído que os jovens cometeram atos infracionais análogos ao crime de maus-tratos em ambas as agressões.
Informações como os nomes, as idades e a localização dos suspeitos não foram divulgadas pela investigação. Isso ocorre porque o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) prevê sigilo absoluto nos procedimentos envolvendo pessoas abaixo de 18 anos.
Conhecido pela doçura, Orelha vivia há cerca de dez anos na Praia Brava, onde era cuidado por moradores e comerciantes e considerado um mascote do bairro. Encontrado gravemente ferido em uma área de mata no mês passado, o animal foi levado a uma clínica veterinária, mas, devido à extensão das lesões, passou por eutanásia.
De acordo com os laudos da Polícia Científica, o cachorro sofreu uma pancada contundente na cabeça, “que pode ter sido por um chute ou algum objeto rígido, como um pedaço de madeira ou uma garrafa”. Ele foi atacado na madrugada do dia 4 de janeiro, por volta das 5h30 da manhã.
“O desenrolar dos fatos começou às 5h25 da manhã, quando o adolescente saiu do condomínio na Praia Brava. Às 5h58 da manhã, ele retornou para o condomínio com uma amiga feminina. Esse foi um dos pontos de contradição em seu depoimento. O adolescente não sabia que a Polícia possuía as imagens dele saindo do local e disse que havia ficado dentro do condomínio, na piscina. Além das imagens, testemunhas e outras provas também comprovaram que ele estava fora do condomínio”, afirma a corporação.
A Polícia Civil analisou mais de mil horas de filmagens na região, em 14 equipamentos que captaram imagens, para chegar ao autor do crime. Os agentes ouviram 24 testemunhas e oito adolescentes foram investigados.
Também foram identificadas provas como a roupa utilizada pelo autor do crime, que foi registrada em filmagens. Um software francês obtido pela corporação analisou a localização do responsável durante o ataque fatal a Orelha.
No mês passado, a Polícia Civil catarinense identificou ao menos quatro adolescentes como suspeitos das agressões. Entre os jovens apontados como ligados à violência, dois viajaram para os Estados Unidos após o episódio.
O adolescente responsável pela agressão deixou o país no mesmo dia em que a Polícia Civil teve conhecimento de quem eram os suspeitos do caso e permaneceu no Exterior até o dia 29 de janeiro. No retorno, ele foi interceptado pelos agentes ao chegar no aeroporto.
“Naquele momento, um familiar tentou esconder um boné rosa que estava em posse do adolescente, além de um moletom, que também foram peças importantes na investigação. Além disso, o familiar do autor tentou justificar a compra do moletom na viagem, mas o próprio adolescente admitiu que já possuía a peça, que foi utilizada no dia do crime”, diz a polícia.
A investigação foi concluída após o depoimento do autor da agressão à Orelha, durante esta semana. A Polícia Civil, então, encaminhou o caso para apreciação do Ministério Público e Judiciário.
A defesa do jovem afirma que as “informações que vieram a público dizem respeito a elementos meramente circunstanciais, que não constituem prova e não autorizam conclusões definitivas”.
“A defesa atua de forma técnica e responsável, orientada pela busca da verdade real e pela demonstração da inocência, e protesta contra o fato de, até o momento, ainda não ter tido acesso integral aos autos do inquérito”, diz em nota.

