Funcionários de um provedor de internet vivem sob constante apreensão em Cachoeiras de Macacu, na Região Metropolitana Leste Fluminense, após uma sequência de ameaças e ataques criminosos registrados desde o ano passado.
O episódio mais recente ocorreu na última terça-feira (6), quando um veículo da empresa foi incendiado no Centro de Papucaia. Segundo relatos, o funcionário que estava no carro também teria sido ameaçado. Ninguém ficou ferido. Diante da situação, a empresa informou, por meio de nota nas redes sociais, que suspendeu temporariamente serviços de manutenção e instalação na região por medida de segurança.
Um funcionário, que preferiu não se identificar por medo de represálias, afirmou que os ataques vêm se intensificando ao longo de aproximadamente um ano, com agravamento no fim de 2025. De acordo com ele, técnicos têm sido ameaçados, expulsos de determinadas áreas e impedidos de trabalhar em alguns bairros, sob a alegação de que apenas um grupo específico poderia fornecer o serviço de internet.
“Esses problemas foram se agravando, principalmente no final de 2025. Tivemos técnicos ameaçados no exercício da função, expulsos de bairros da cidade, com criminosos afirmando que a internet agora ‘é deles’ e que só eles podem instalar. Não é algo recente. Em Silva Jardim e Rio Bonito também fomos abordados, e em um desses casos tivemos outro carro incendiado”, relatou.
Ainda segundo o funcionário, o medo tem afetado diretamente a rotina das equipes. “Os técnicos ficam receosos de exercer o trabalho, porque não há segurança. Em vários bairros isso já está acontecendo”, afirmou.
A empresa informou que acionou o setor jurídico e comunicou oficialmente os fatos às autoridades competentes, incluindo a Polícia Civil e a Prefeitura de Cachoeiras de Macacu, para a apuração das ameaças e ataques.
Em nota, a Polícia Civil informou que a 159ª DP (Cachoeiras de Macacu) investiga a atuação de grupos criminosos na região e que as diligências seguem em andamento para identificar e prender os envolvidos.
Problema se repete em outras regiões do estado
Levantamentos sobre o serviço de internet no estado do Rio de Janeiro indicam que a situação não se limita a Cachoeiras de Macacu. De acordo com a Secretaria de Segurança Pública, até 80% das empresas que atuam em favelas do estado estariam sob controle direto ou associação com facções criminosas, incluindo grupos ligados ao tráfico de drogas e à milícia, que utilizam a estrutura de provedores como fonte de renda e instrumento de influência nas comunidades.
Esse cenário foi reforçado por investigações da Polícia Civil, como a “Operação Rede Obscura”, conduzida pela Delegacia de Defesa dos Serviços Delegados (DDSD). A ação resultou na desativação de centrais clandestinas, apreensão de equipamentos e cabos, além da prisão de envolvidos na exploração ilegal de serviços de internet.
Segundo a empresa, os ataques e impedimentos à atuação das equipes têm ocorrido, principalmente, nos bairros Guararapes, Japuíba — conhecida como Vila do Pombal — e Boqueirão, onde técnicos estariam sendo barrados de circular e prestar atendimento aos clientes.


