A União de Maricá foi a sexta escola a cruzar a Marquês de Sapucaí na madrugada deste domingo (15), durante o segundo dia de desfiles da Série Ouro do Carnaval do Rio de Janeiro. Em busca do acesso ao Grupo Especial, a agremiação levou para a avenida o enredo “Berenguendéns e Balangandãs”, criado pelo carnavalesco Leandro Vieira.
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O desfile mergulhou na história da joalheria produzida por mulheres negras no Brasil, especialmente no período colonial e imperial. Os balangandãs — conjuntos de berloques e correntes usados à cintura — simbolizavam resistência, identidade, proteção espiritual e também a conquista da liberdade por mulheres que comercializavam adornos nas ruas.
A proposta foi traduzida em fantasias marcadas pelo dourado, pelo brilho metálico e por referências à ancestralidade africana. A ala das baianas chamou atenção ao representar as “negras do tabuleiro”, evocando empoderamento feminino e a força histórica das mulheres que transformaram adornos em instrumento de sobrevivência e autonomia.
Outro destaque foi a bateria, que apostou na fusão do samba tradicional com ritmos afro-brasileiros como ijexá e adarrum. A combinação trouxe personalidade ao desfile e levantou o público nas arquibancadas, reforçando a identidade da escola.
Na parte alegórica, a segunda alegoria, intitulada “Ogum e a Forja do Metal”, impressionou pelo impacto visual. Em tons prateados, o carro trouxe referências ao orixá Ogum, com elementos que remetiam à proteção, à guerra e à espiritualidade. Integrantes relataram emoção ao representar a fé e a ancestralidade na avenida.
Apesar do desempenho considerado forte artisticamente, o desfile terminou sob tensão. Durante a dispersão, na área da Apoteose, a última alegoria saiu do eixo ao fazer a curva final e colidiu com a grade lateral da pista. O acidente atingiu pessoas que estavam próximas ao meio-fio.
Pelo menos três pessoas ficaram feridas. O caso mais grave foi o de um integrante da equipe de apoio da escola, de 65 anos, que sofreu fraturas expostas nas pernas. Ele foi socorrido pelo Corpo de Bombeiros, recebeu atendimento inicial no posto médico da Apoteose e, em seguida, transferido para o Hospital Municipal Souza Aguiar, onde passou por cirurgia. Outras duas vítimas tiveram ferimentos leves; uma foi atendida e liberada no próprio sambódromo e a outra encaminhada ao Hospital Miguel Couto para exames.
Antes do atropelamento, a escola já havia enfrentado outro problema na dispersão: um princípio de incêndio em uma das alegorias, que foi rapidamente controlado e não deixou feridos.
O incidente ocorreu no momento em que a escola acelerava o encerramento para não ultrapassar o limite máximo de 55 minutos de desfile. Ainda assim, a União de Maricá concluiu a apresentação com 57 minutos, o que pode resultar em punição na apuração.
Em nota, a escola informou que acompanha a situação do integrante ferido e presta todo o suporte necessário à vítima e à família. A Secretaria Municipal de Saúde do Rio confirmou os atendimentos e informou que a Polícia Civil irá apurar as circunstâncias do acidente.
Mesmo com o episódio, a União de Maricá apresentou um desfile marcado pela valorização da cultura negra, da força feminina e da espiritualidade afro-brasileira. Agora, além da expectativa pela recuperação dos feridos, a escola aguarda a apuração para saber o impacto do ocorrido na disputa por uma vaga no Grupo Especial de 2027.



