Treta carnavalesca: diretores da Série Ouro ameaçam levar ao MP discussão com Liesa sobre divisão da arrecadação do Sambódromo

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Tem samba atravessado na Marquês de Sapucaí, entre a Liga RJ, que representa as escolas de samba da Série Ouro, e a prima rica Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa), das gigantes do Grupo Especial. A Liga RJ ameaça ir ao Ministério Público para resolver um imbróglio — principalmente, financeiro — em relação à administração do Sambódromo.

Entre os questionamentos listados pelos representantes das escolas da Série Ouro está a “exclusividade comercial abusiva, como a imposição de uma única marca de cerveja e a prática de ‘venda casada’ nos camarotes, o que impede a livre concorrência e retira fontes de receita das agremiações”, disse a entidade, em nota.

No atual modelo de negócios, quem compra um camarote, paga uma vez só para uso durante todo o carnaval. Mas a Liesa, responsável por quatro dos seis desfiles (domingo, segunda, terça e Sábado das Campeãs), não repassa um único centavo desta receita à Liga RJ, que faz os outros dois dias (sexta e sábado de carnaval). Ou seja, quem promove um terço da festa fica a ver navios.

As escolas da Série Ouro decidiram pôr a boca no trombone. Pediram 40% do faturamento com os camarotes. A Liesa disse não, mas não fez qualquer contraproposta. Daí que então, as primas pobres resolveram pedir tudo (acesso ao credenciamento, proibição de exposição de patrocínios nos dias de desfile da Série Ouro, entre outros pontos).

A direção da Liga RJ esteve, nesta segunda-feira, na Assembleia Legislativa. Foi formalizar uma denúncia na Comissão de Defesa do Consumidor. O vice-presidente do colegiado, Dionísio Lins (PP), disse que vai convocar a Liesa e a Riotur para esclarecer os critérios adotados para a operação dos desfiles.

Protestos da Série Ouro foram amplificados em discurso do presidente da Porto da Pedra

No último domingo (25), Fábio Montebelo, presidente Porto da Pedra, fez um discurso forte antes do ensaio técnico da escola na Marquês de Sapucaí.

“A gente, na Série Ouro, não pode botar um patrocínio. Sexta e sábado, a gente não pode botar um patrocínio aqui na Sapucaí. A Riotur tem direito a camarote, o governo do estado tem um monte de camarote, e a Liga RJ não tem direito a nada. Isso é correto? Então vou pedir ajuda ao Ministério Público”, disse.

Ao longo dos últimos dias, representantes da Série Ouro, foram à sede da Riotur, na Cidade Nova, para entregar um documento com questionamentos e solicitações ao órgão. Além da parte financeira, as escolas do grupo de acesso indicam problemas organizacionais no credenciamento e na garantia da realização dos ensaios técnicos no Sambódromo.

Órgão da prefeitura responsável pela Sapucaí e pela relação com as escolas, a Riotur divulgou nota, observando que preza pelo “bom andamento do carnaval 2026”.

“A Riotur reafirma seu compromisso com o diálogo, a transparência e a valorização do Carnaval como patrimônio cultural da cidade e informa que está alinhando as agendas com as Ligas para a realização de uma conversa institucional, com o objetivo de tratar os temas de forma conjunta, prezando pelo bom andamento do Carnaval 2026, com equilíbrio, legalidade e respeito às escolas de samba e às suas comunidades”, diz o texto.



Com informações da fonte
https://temporealrj.com/treta-carnavalesca-diretores-da-serie-ouro-ameacam-levar-ao-mp-discussao-com-liesa-sobre-divisao-da-arrecadacao-do-sambodromo/

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