Treinador do Botafogo, Tite precisa ser respeitado

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Independentemente da batalha que Botafogo e Vasco travam esta noite, no Nílton Santos, em busca dos pontos que afaste o vencedor da zona de rebaixamento do Brasileiro, há no enredo do clássico o confronto tático entre dois treinadores que lutam por espaço em fases distintas de suas carreiras. O vitorioso Tite tenta retomar o protagonismo e o surpreendente Pedro Emanuel joga por sua primeira vitória num clássico em confrontos pela Série A. Dois personagens interessantíssimos neste pós-Data Fifa.
Aos 65 anos, Tite não é o treinador “acabado”, como vaticinam os críticos mais ferozes. Devo lembrar que não surgiu quem construísse uma seleção brasileira tão equilibrada desde a saída dele em 2022. E encarando os problemas já conhecidos: falta de tempo para treinar, dificuldade para enfrentar as principais escolas europeias e ausência de um coadjuvante que dividisse as atenções com Neymar. A vantagem, talvez, é que havia uma renovação em andamento, melhorada sob o comando de Tite.
O problema é que os sabáticos 22 meses do pós-Copa do Catar tiraram do ex-técnico da seleção brasileira de um cenário em transformação. Entre 2016, a última participação num Brasileiro, já bicampeão pelo Corinthians, e 2024, quando ressurge à frente do milionário elenco do Flamengo, muita coisa mudou. Da estrutura no calendário das competições da Conmebol à nova realidade econômica dos clubes. Houve aumento substancial dos orçamentos; incremento no número de treinadores estrangeiros (de quatro para oito) e de jogadores de fora, de cinco para nove.
Mesmo assim, Tite teve 59,8% de aproveitamento em 39 jogos no Fla nos 12 meses entre 24 e 25. Talvez, até pudesse ter ido mais longe. Mas seu estilo de jogo não combinou com o sentimento rubro-negro. E ao reaparecer num Cruzeiro em reconstrução no início de 2026 fez 53% em 17 jogos, levantou o título mineiro, mas caiu após o 3 a 3 com o Vasco que o prendeu a 17% de aproveitamento em seis partidas do Brasileiro.
O português Pedro Emanuel, de 51 anos, embora tenha dado ao Vasco o espírito competitivo que a torcida tanto queria, e levado o time às semifinais das Copas do Brasil e Sul-Americana, tem só 40,7% em nove jogos do Brasileiro. Foram três vitórias, o que não diminui a euforia dos vascaínos. Dos nove técnicos estrangeiros que iniciaram a Série A, o palmeirense Abel Ferreira foi único a resistir a má fase. Hoje, há outros quatro e Pedro Emanuel é um deles. Os pontos em disputa, portanto, são importantes na pavimentação de um caminho promissor.



Com informações da fonte
https://extra.globo.com/blogs/gilmar-ferreira/coluna/2026/10/treinador-do-botafogo-tite-precisa-ser-respeitado.ghtml

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