traficantes do CV davam escolta à quadrilha de roubo de cobre que movimentou R$ 400 milhões

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Lista de apreensões da Polícia Civil inclui aparelho, celular, computador, malote de dinheiro e cabos da Light — Foto: Reprodução


Após a Delegacia de Roubos e Furtos (DRF) deflagrar uma operação para desarticular uma quadrilha especializada em furto de cabos, receptação e lavagem de dinheiro, o delegado Thiago Neves afirmou ao GLOBO que as investigações indicam participação do Comando Vermelho na logística e na segurança do esquema. Segundo a polícia, o grupo já movimentou mais de R$ 400 milhões, atua de forma interestadual e tem como principais pontos de receptação áreas ligadas à facção, como o Complexo do Alemão e o Morro do Urubu, na Zona Norte do Rio de Janeiro.

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— Não estamos diante de furtos isolados, mas de uma cadeia econômica criminosa estruturada. O Comando Vermelho opera como gestor de mercados ilícitos, com regras, rotas e fluxo financeiro próprios. Isso é governança criminal: a exploração do furto e da receptação de cobre como base de financiamento e sustentação do poder do crime organizado — explica Neves.

Foram cumpridos 42 mandados de busca e apreensão contra 31 suspeitos no Rio, em São Paulo, em Minas Gerais e no Tocantins. No Rio, agentes se encontram na capital e em Nilópolis, Mesquita e Itaguaí, na Baixada Fluminense. A ação é no âmbito da Operação Caminhos do Cobre.

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A investigação realizada pela DRF identificou que o grupo criminoso possui uma estrutura organizada e financeiramente sofisticada, com divisão clara de funções e atuação interestadual. Conforme apurado pela delegacia, os integrantes se dividiam entre furtar cabos, receptar os materiais e cuidar da movimentação financeira.

Os furtos ocorriam, principalmente, durante a madrugada. Caminhões eram usados para arrancar cabos subterrâneos, enquanto motocicletas atuavam como batedores para monitorar a movimentação policial e bloquear vias. Após a retirada do material, os criminosos o transportavam para pontos específicos, onde ele passava por fracionamentos. Em seguida, os itens eram comercializados por meio de ferros-velhos e empresas de reciclagem, previamente vinculadas ao grupo.

A parte financeira atuava com a emissão de notas fiscais falsas, para conferir aparência de legalidade às transações. Os valores eram fragmentados por meio de transferências bancárias em sequência, com o objetivo de dificultar o rastreamento do dinheiro.

Os bandidos da quadrilha eram divididos do seguinte modo:

  • Núcleo estratégico: responsável pela liderança e coordenação das atividades criminosas
  • Núcleo operacional: encarregado da execução dos furtos e do transporte
  • Núcleo de receptação: formado por estabelecimentos responsáveis pela revenda do material subtraído
  • Núcleo financeiro: voltado à lavagem de dinheiro.

Sequestro de veículos e imóveis

Ainda de acordo com a investigação, o grupo criminoso movimentou R$ 417.954 com o esquema. Sozinho, o principal investigado teria movimentado R$ 97 milhões, valor incompatível com sua capacidade econômica declarada. Uma das empresas centrais do esquema registrou movimentação superior a R$ 90 milhões.

A operação de segunda teve o objetivo de interromper toda a cadeia criminosa e garantir a recuperação patrimonial vinculada às atividades ilícitas. Além da operação realizada contra os envolvidos, a DRF também solicitou o sequestro de veículos e imóveis do grupo, além do bloqueio total dos ativos financeiros do grupo.

A Operação Caminhos do Cobre é iniciativa contínua para combater o furto de cabos e materiais metálicos que mira toda a cadeia criminosa, desde quem comete os furtos até as metalúrgicas envolvidas com o esquema.

Desde setembro de 2024, a DRF e outras delegacias da instituição realizaram mais de 430 fiscalizações em ferros-velhos, com cerca de 200 prisões de responsáveis pelos estabelecimentos nestas ações. Neste mesmo período, cerca de 300 toneladas de fios de cobre e materiais metálicos foram apreendidas pela especializada. Além disso, houve o pedido de bloqueio de aproximadamente R$ 240 milhões, consolidando a Operação Caminhos do Cobre como uma das maiores ofensivas contra a infraestrutura financeira do crime patrimonial no estado.



Com informações da fonte
https://oglobo.globo.com/rio/noticia/2026/02/24/alianca-criminosa-traficantes-do-cv-davam-escolta-a-quadrilha-de-roubo-de-cobre-que-movimentou-r-400-milhoes.ghtml

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