Teatro, por Claudia Chaves: “Hamlet” — O clássico imperdível

Tempo de leitura: 4 min


“Hamlet” é o exemplo acabado da arte dramática — pela trama, pela força do jovem príncipe atormentado, pelos famosos solilóquios e bordões que atravessaram séculos. É também o sonho de qualquer ator, embora reservado apenas aos excepcionais, dado o tamanho das armadilhas e dificuldades que a peça impõe.

(Dalton Valério/Divulgação)
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(Dalton Valério/Divulgação)
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(Dalton Valério/Divulgação)

A montagem dirigida por Bruce Gomlevsky no CCBB, com tradução impecável de Geraldo Carneiro, reafirma a vitalidade do clássico. Bruce assina a direção cuidadosa e encara ele mesmo o papel-título. “Hamlet”, afinal, já provou caber a artistas de qualquer gênero e idade — recentemente, Sir Ian McKellen o interpretou aos 82 anos.

Aqui, a opção é pela proximidade com o público: o espaço em arena, com movimentação pelos corredores e plateia reposicionada, permite olhares múltiplos e projeta cada palavra com clareza. O resultado é uma atmosfera de intimidade quase sufocante.

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(Dalton Valério/Divulgação)
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(Dalton Valério/Divulgação)
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(Dalton Valério/Divulgação)

A tradução de Geraldo Carneiro preserva a densidade poética e a precisão dramática de Shakespeare sem perder fluidez para o público contemporâneo. Essa sofisticação literária encontra eco na ousadia da encenação: Rosencrantz e Guildenstern surgem como bonecos de game, figuras femininas lúdicas e irônicas que ampliam as leituras possíveis da peça.

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Outro acerto é a presença da Princesa Fortimbrás, frequentemente cortada em adaptações. Aqui, ela simboliza uma nova era, metáfora da destruição do patriarcado — uma escolha que conecta o clássico às urgências de 2025.

As tensões delicadas também não são evitadas, como a relação romântica acentuada entre Cláudio e Gertrudes, o que torna a encenação ainda mais provocadora. No centro, está a leitura de Bruce Gomlevsky: um Hamlet angustiado, solitário, de corpo curvado e passos lentos, que encarna fisicamente o peso da dúvida e da paralisia. Ao afastar o herói da imagem grandiosa, Bruce o aproxima de uma humanidade frágil e desamparada.

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(Dalton Valério/Divulgação)
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(Dalton Valério/Divulgação)

O elenco é robusto e afinado: Daniel Bouzas (Laertes), Glauce Guima (Ofélia), Gustavo Damasceno (rei Cláudio), Jaime Leibovitch (Polônio e o coveiro), Ricardo Lopes (Horácio e o fantasma), Sirlea Aleixo (rainha Gertrudes), Maria Clara Migliora (Guildenstern), Tamie Panet (Rosencrantz), Aquarela Neves e Guilherme Pinel. Todos contribuem para o equilíbrio entre lirismo e tensão.

Os elementos técnicos reforçam a potência da montagem: o cenário sombrio de Nello Marrese, o figurino atemporal de Maria Callou, a iluminação precisa de Elisa Tandeta e a caracterização de Mona Magalhães compõem uma estética de estranhamento. A produção de Gabriel Garcia e a assistência de Julia Limp garantem coesão ao projeto.

No conjunto, o “Hamlet” de Bruce Gomlevsky é moderno e inquieto: reinventa sem desrespeitar, provoca sem perder a essência. Uma leitura vigorosa que reafirma a atualidade de Shakespeare e a força do teatro brasileiro.

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Serviço:
Centro Cultural Banco do Brasil 
Quarta a segunda, às 19h
Domingo, às 18h

Claudia Chaves
(Arquivo/Arquivo pessoal)



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