Teatro, por Claudia Chaves: “Fala Sério, Mãe! — Elas só mudam de endereço”

Tempo de leitura: 7 min


“Mãe é só uma. Porque duas ninguém aguenta.” A frase popular resume bem o território afetivo onde se move Fala Sério, Mãe! – Elas Só Mudam de Endereço. Entre ironia e carinho, o espetáculo parte desse imaginário coletivo para explorar as tensões e os afetos das relações familiares. Outra máxima diz que ser mãe é “sofrer no paraíso”. É nesse lugar ambíguo — onde convivem amor, conflito e humor — que a montagem encontra sua matéria-prima.

Adaptado da obra da escritora Thalita Rebouças, conhecida por abordar o universo adolescente em livros que alcançaram milhões de leitores, o musical transforma episódios do cotidiano doméstico em narrativa cênica. As situações são reconhecíveis: embates entre mães e adolescentes, exageros de proteção, disputas entre irmãos e as inseguranças típicas da juventude. A plateia responde com riso imediato e identificação — das crianças aos avós, todos encontram em algum momento da trama um espelho de experiências próprias.

(Rafael Catarcione/Divulgação)
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(Rafael Catarcione/Divulgação)

O texto de Thalita mantém o humor afiado e um raro senso de tempo de comédia. No palco, a autora também assume a cena interpretando Ângela Cristina, conduzindo a narrativa cantando, dançando e atuando. A estrutura dramatúrgica tem como eixo justamente a ideia de criar um musical sobre mães. A partir daí surgem personagens que representam diferentes posições dentro da dinâmica familiar — a mãe que projeta no filho expectativas de sucesso, a mãe solo, a mãe separada, o filho mimado, a filha precoce.

Mesmo dentro do registro humorístico, os personagens não se tornam caricaturas: cada um encarna uma tensão ou sentimento bastante reconhecível da vida familiar.

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As canções funcionam como extensão dramática da ação e estão integradas às situações vividas pelos personagens. O corpo de baile sustenta grande parte da energia do espetáculo, com jovens intérpretes que executam coreografias com precisão e sincronia pouco comuns. A interação com recursos audiovisuais amplia o espaço cênico e cria um diálogo constante entre palco e imagem.

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(Rafael Catarcione/Divulgação)
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(Rafael Catarcione/Divulgação)

A montagem ocupa o palco do Roxy Dinner Show, espaço que recentemente passou a abrigar produções musicais e espetáculos de grande formato. A sala, tradicional na história cultural de Copacabana, reaparece agora como lugar de encontro entre teatro, música e convivência.

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A direção geral é de Abel Gomes, com direção de produção de Sheila Roza. A dramaturgia é assinada por Thalita Rebouças em parceria com Gustavo Reiz. A criação artística reúne ainda Priscilla Mota (direção artística), Tauã Delmiro (direção teatral), Rodrigo Negri (direção de movimento) e Tony Lucchesi (direção musical e arranjos).

Ao levar para o palco o repertório emocional das relações entre mães e filhos, o musical transforma pequenas situações domésticas em matéria de espetáculo — um território onde humor, memória e reconhecimento caminham lado a lado.

1 – Como surgiu a ideia da peça?

Não me inspirei em histórias reais. A inspiração veio do meu próprio livro, Fala Sério, Mãe, que acompanha a relação entre uma mãe e uma filha desde a gravidez até o momento em que a filha sai de casa. A peça foi inspirada nesse universo. Na adaptação, acrescentei coisas atuais, como grupos de mães no WhatsApp, a dificuldade de decifrar emojis e abreviações… para dar uma cara mais contemporânea à história. Não tem muito da minha vivência pessoal, nem no livro nem na peça. É mais imaginação, observação e vontade de fazer teatro — porque eu estava com muita saudade.

2 – Sua participação no espetáculo envolve cantar e dançar. Como foi a preparação?

Eu me preparei com muita dedicação — sou muito CDF. O Tony Lucchesi, nosso diretor musical e responsável pelos arranjos, me ajudou bastante, me deu vários truques. E eu tenho uma fonoaudióloga maravilhosa, a Jaqueline Preston, que realmente me salvou. No começo eu estava com muito medo, porque os ensaios eram muito exaustivos e eu ficava sem voz. Dançar eu sempre gostei, fiz aula de dança por muitos anos e adoro estar no palco dançando. Já cantar é menos frequente na peça — o elenco canta muito bem. Eu só não quero estragar o show deles (risos).

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3 – Você também é autora da série Juntas & Separadas, da Globoplay, sobre mulheres divorciadas. Como vê hoje o papel da mãe solo e da mulher separada?

Esse tema aparece bastante na série. A dona Dina, mãe da Laura, é uma mãe solo. Quando a gente chega perto dos 40 anos, acha que a vida já está estruturada — ninguém casa pensando que vai se separar. Quando isso acontece, é um choque enorme. Vem aquela pergunta: “E agora? Será que ainda tenho tempo de encontrar um novo amor?”. É muito especial falar sobre isso porque, no meu próprio momento pós-separação, fiz amigas muito queridas que viraram quase irmãs. Foi sentir na pele o que é sororidade: mulheres ajudando mulheres a atravessar o luto e a se reerguer.

4 – Existe algo autobiográfico na peça?

Não, nada diretamente autobiográfico. O que aparece ali é muito mais fruto de observação. Por exemplo, eu queria muito falar sobre grupos de WhatsApp de mães, porque quando o livro foi lançado, em 2004, isso ainda não existia. Então foi divertido trazer essa linguagem de abreviações, emojis e mensagens rápidas para a história. O resto vem mesmo do livro e da imaginação.

Serviço:

📍 Roxy Dinner Show
🗓 Sábados e domingos, às 16h30

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🎟 Compra online:
https://www.eventim.com.br/falaseriomae

Claudia Chaves
(Arquivo/Arquivo pessoal)



Com informações da fonte
https://vejario.abril.com.br/coluna/lu-lacerda/teatro-por-claudia-chaves-fala-serio-mae-elas-so-mudam-de-endereco/

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