Teatro (Claudia Chaves): “A Sabedoria dos Pais” (papo com Natalia do Vale)

Tempo de leitura: 7 min


Em “A Sabedoria dos Pais”, Miguel Falabella aposta naquilo que parece cada vez mais raro: relações construídas no tempo, longe das modas e dos discursos fáceis sobre o amor. A comédia romântica, protagonizada por Natalia do Vale e Herson Capri — que celebram 50 anos de carreira —, olha para a maturidade afetiva sem nostalgia idealizada, mas com humor, delicadeza e lucidez.

(Nana Moraes/Divulgação)

A trama acompanha um casal que, após 35 anos de casamento, decide se separar e revisita, ao longo de uma década, escolhas, memórias e novas tentativas de vida. O texto aborda etarismo, reinvenção e solidão com leveza, lembrando que vínculos sólidos não são tendência: são construção.

Natália do Vale retorna aos palcos depois de 23 anos em uma atuação precisa, contida e profundamente verdadeira. Herson Capri é um parceiro à altura, equilibrando charme, vulnerabilidade e ironia. A direção de Falabella acerta ao confiar nos atores, deixando que emoção e graça conduzam a cena, sem sublinhados excessivos.

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(Nana Moraes/Divulgação)
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(Nana Moraes/Divulgação)
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O figurino funciona como um comentário silencioso e eficaz: de um pretinho básico surgem vestido de gala, roupa de viagem, figurino do cotidiano e até uma vestimenta simbólica “para matar”, acompanhando os estados emocionais e as transformações da personagem.

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(Nana Moraes/Divulgação)

Mais do que celebrar trajetórias, o espetáculo reafirma uma ideia simples e potente: o afeto não envelhece — apenas muda de forma. Em cartaz no Teatro Vannucci, com temporada estendida em janeiro, A Sabedoria dos Pais lembra que amar continua sendo um exercício diário: fora de moda, mas absolutamente necessário.

Conversamos com Natália do Vale sobre a força das histórias de amor — no palco e na vida.

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1 – O que essa peça revela sobre a persistência dos afetos?

A peça nasce, antes de tudo, com a intenção de divertir, de levar alegria para a plateia. Mas, inevitavelmente, conduz o espectador a um lugar de reflexão sobre a própria vida e sobre o que se observa ao redor. As pessoas saem do teatro felizes e, muitas vezes, emocionadas. O Miguel tem esse poder: fazer rir e tocar profundamente ao mesmo tempo. Seus textos falam de afetos que persistem, de vínculos que se transformam, mas não desaparecem. Ele escreve a partir do que vive e do que observa, sempre com um olhar muito afetuoso — inclusive para personagens mais marginais. Isso mostra que o amor pode mudar de forma, mas continua existindo.

2- Você já viveu algum amor que dialogue com a intensidade, a delicadeza ou as contradições que aparecem na peça?

Acho que toda atriz acaba levando para a cena aquilo que viveu e aquilo que observa no mundo. As relações humanas são feitas de contradições, delicadezas e intensidades, e isso atravessa naturalmente o trabalho. O texto do Miguel facilita muito esse processo porque fala de sentimentos reconhecíveis, humanos, reais. Não é uma atuação desconectada da vida — pelo contrário, ela se alimenta dessas experiências que todos nós carregamos.

3- Como é trabalhar com Miguel Falabella como diretor?

Trabalhar com o Miguel como diretor é muito fácil. Como ele também é o autor do texto, tem uma ideia muito clara de onde quer chegar e de como conduzir o ator até esse lugar. Ao mesmo tempo, ele é extremamente aberto à colaboração: escuta o que você traz para a personagem, o que você entende dela. Isso torna o processo muito fluido. Ele é criativo, sensível e tem um olhar muito generoso para os personagens, o que ajuda enormemente na construção da cena.

4- Você participou da escolha dos figurinos? De que forma eles ajudam a contar essa história de amor e transformação no palco?

O figurino e o cenário seguem essa mesma lógica da direção. O Miguel sabe exatamente o que deseja para cada personagem e para a história como um todo. Tudo é pensado para servir à narrativa, aos afetos e às transformações que acontecem em cena. O vestuário ajuda a revelar quem são essas pessoas, em que momento da vida elas estão e como se relacionam entre si.

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5- O que você ainda faz hoje que vem diretamente dos seus pais — um gesto, um costume, uma ética — e que se reflete na artista?

O que herdei dos meus pais foi, sobretudo, o humor e a capacidade de rir de mim mesma, de não me levar excessivamente a sério. Meu pai era assim: bem-humorado, mas ao mesmo tempo muito responsável e comprometido com tudo — com a família, o trabalho, os amigos. Essa combinação de leveza e responsabilidade me acompanha até hoje, na vida e na profissão, e dialoga muito com o espírito dessa peça, que fala justamente da sabedoria dos pais.

6 -Se pudesse dedicar esta peça a uma única pessoa — real, imaginada ou até você mesma em outra época da vida — para quem seria e por quê?

Talvez eu dedicasse essa peça à ideia da sabedoria que vem com o tempo — àquela pessoa que a gente se torna depois de aprender a rir de si mesma, de olhar a vida com mais afeto e menos rigidez. É uma peça que celebra isso: a experiência, o amor que amadurece e a alegria que nasce do encontro.

Serviço:

Desta sexta (09/01) a 08 de fevereiro, sexta e sábado, às 20h, e domingo, às 19h.

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No Teatro Vanucci, no Shopping da Gávea (Rua Marques São Vicente, 52)

Claudia Chaves
(Arquivo/Arquivo pessoal)



Com informações da fonte
https://vejario.abril.com.br/coluna/lu-lacerda/teatro-claudia-chaves-a-sabedoria-dos-pais-papo-com-natalia-do-vale/

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