Lula ainda lidera as pesquisas para 2026, mas o caminho rumo à reeleição está longe de ser tranquilo. Um levantamento da AtlasIntel divulgado nesta quinta (22), em parceria com a Bloomberg, mostra que o eleitor brasileiro não tem memória curta — e que decisões polêmicas tomadas durante o mandato podem se transformar em munição pesada da oposição.
A famigerada “taxa das blusinhas”, o imposto sobre compras internacionais de até 50 dólares, continua sendo lembrada e rejeitada por 59% dos brasileiros, contra apenas 33% que aprovam. O ataque ao queridinho nacional, o Pix, também não caiu no gosto popular: 56% são contra, enquanto apenas 33% apoiam.
Gol contra na segurança pública
Em meio à escalada da violência, Lula ainda coleciona críticas pelo programa Pena Justa, que prevê desencarceramento e revisão de penas. A proposta enfrenta resistência de 50% dos entrevistados, contra apenas 31% de aprovação.
O arcabouço fiscal divide o eleitorado (46% contra 44%), enquanto a posição sobre a captura de Nicolás Maduro gera desconforto: 48% rejeitam o apoio de Lula ao líder venezuelano, contra 43% favoráveis. Até mesmo a retirada de empresas públicas, como os Correios, do programa de privatização é vista com maus olhos por 51% dos eleitores, ante 42% que aprovam.
Polarização no fio da navalha
A pesquisa, realizada entre 15 e 20 de janeiro com 5.418 pessoas, escancara o retrato da polarização: 48,8% aprovam Lula, 50,7% desaprovam. O presidente governa um país rachado ao meio, onde cada decisão vira combustível para a guerra política.
O preço das medidas impopulares
Mesmo aparecendo na frente, Lula enfrenta um cenário em que metade da população desaprova seu governo. Cada medida polêmica vira um estilingue apontado para o Planalto. A oposição já prepara ataques certeiros, mirando no bolso e no cotidiano do eleitor — afinal, mexer com Pix e compras internacionais é cutucar onça com vara curta.
O dilema
Lula tenta sustentar a narrativa de “pai dos pobres”, mas suas medidas muitas vezes soam como castigo ao consumidor. Se insistir em políticas mal digeridas, corre o risco de transformar a eleição em um duelo voto a voto, onde cada blusinha taxada pode custar um voto a menos.

