Reunião de despedida de Paes com secretariado tem tom político

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O prefeito Eduardo Paes (PSD) abriu com um discurso extenso sua última reunião com o secretariado da Prefeitura do Rio. Ao longo de cerca de uma hora e meia, Paes fez orientações sobre responsabilidade fiscal, pediu a continuidade das ações em andamento e antecipou pontos centrais de sua estratégia para a campanha eleitoral. Também discursaram o vice-prefeito, Eduardo Cavaliere (PSD), e o deputado federal Pedro Paulo, presidente do PSD e aliado histórico do prefeito. Paes confirmou que deixará o cargo em 20 de março para disputar o governo do Estado do Rio de Janeiro.

O encerramento do encontro foi marcado, como esperado, por homenagens e momentos de emoção.

Durante a fala, o prefeito destacou as dificuldades enfrentadas por prefeituras e governos estaduais em todo o país, mas afirmou que o Rio de Janeiro tem conseguido manter as contas em dia e as obras em andamento. Lembrou, inclusive, o pagamento do décimo quarto salário aos servidores. Reconheceu que o reajuste do funcionalismo foi modesto, mas afirmou que foi o possível diante do cenário econômico.

Paes também fez uma análise da situação financeira dos entes federados, ressaltando a crescente dependência de estados e municípios das emendas parlamentares. Segundo ele, a liberação de recursos hoje se concentra quase exclusivamente nesse mecanismo, o que esvaziou as tradicionais negociações com ministros.

Diante desse contexto, alertou os secretários sobre a necessidade de preservar a responsabilidade fiscal, independentemente de interesses políticos. Foi enfático ao afirmar que não haverá ampliação de crédito além do que já foi aprovado pela Câmara Municipal no orçamento de 2026.

Na sequência, Paes transferiu a condução da área administrativa e financeira ao vice-prefeito Eduardo Cavaliere, que passará a assumir essa responsabilidade desde já e até a saída definitiva do prefeito.

Ao abordar o cenário eleitoral, Paes confirmou que está articulando alianças para a disputa ao governo do estado, mas frisou que não fará “acordos espúrios” nem aceitará o uso da máquina pública para fins pessoais. Disse que não pretende se eleger “a qualquer custo” e pediu que os secretários que pretendem concorrer nas eleições se manifestassem.

A lista foi extensa. Para deputado estadual, confirmaram candidatura João Pires (Defesa do Consumidor), Guilherme Schleder (Esportes), Otoni de Paula Filho (Cidadania e Família), Adílson Pires (Habitação), Joyce Trindade (Políticas para as Mulheres) e Renato Pellizzari (Fundação Planetário). Para deputado federal, disputarão Daniel Soranz (Saúde), Martha Rocha (Assistência Social), Renan Ferreirinha (Educação), Marcelo Queiroz (Administração) e Elias Jabbour (Instituto Pereira Passos).

Em sua fala, Cavaliere fez uma brincadeira ao dizer que será o primeiro prefeito nascido no município do Rio de Janeiro, já que seus antecessores nasceram no antigo Estado da Guanabara. Garantiu que manterá a linha atual da administração, adotando um governo de continuidade — ao menos até o fim deste ano.

O vice-prefeito convidou os secretários a permanecerem nos cargos ou, no caso dos que disputarão a eleição, a indicarem seus substitutos. Reforçando o discurso de austeridade, pediu ainda que não sejam criados novos programas até o encerramento do ano.

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Rodrigo Da Matta é formado em Jornalismo, Radialismo e Marketing, com especialização em Comunicação Governamental e Marketing Político pelo Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP), em Brasília. Atualmente, é graduando em Publicidade e Propaganda, Ciências Políticas e Gestão Pública.
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