Desde o dia 2 deste mês, o Jaé é o único sistema de bilhetagem nos transportes municipais do Rio, em substituição ao Riocard. A transição foi marcada por desafios, como dúvidas, longas filas e dificuldades para receber o cartão. Em quase um mês, passageiros relatam um novo problema, que tem se mostrado recorrente: descontos indevidos no saldo. Na manhã desta sexta-feira, dezenas de telespectadores do “Bom Dia Rio”, da TV Globo, entraram em contato relatando perda de verba no Jaé mesmo sem uso. Procurada pelo telejornal, a empresa solicitou que fossem enviados os números do documento de CPF destes passageiros. O pedido foi alvo de duras críticas do prefeito Eduardo Paes.
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O prefeito entrou em contato com Flávio Fachel, através de mensagem, que foi informada na íntegra. “Eu vou ler exatamente o que o prefeito disse, tá?”, disse o jornalista:
“A próxima vez que o Jaé der uma resposta imbecil como essa à imprensa, pedindo CPF de quem reclamou, eles tomarão uma multa. Peço desculpas, e vou pedir para a Secretaria de Transportes verificar o que acontece”, disse a mensagem de Paes.
Segundo o “Bom Dia Rio”, o Jaé solicitou que todos os telespectadores que entraram em contato com a reportagem devem fornecer o número do documento para que os casos sejam apurados. O telejornal afirma estar recebendo centenas de mensagens com relatos de problemas.
O novo sistema de bilhetagem tem como responsável por sua operação o Consórcio Bilhete Digital (CBD) que, por sua vez, foi comprado pela Autopass. A empresa opera, também, o cartão TOP, usado nos trens e metrô na Região Metropolitana de São Paulo.
“Meu Jaé, coloquei R$ 100 e só tem R$ 45,30. Detalhe, só usei uma vez de R$ 4,70”, contou uma telespectadora ao jornal.
“Pensei que só estava acontecendo comigo. Eu carrego o meu Jaé com R$ 20, e sempre somem R$ 2 ou R$ 3”, contou outra.
Ao final do programa, foi comunicado que a prefeitura já determinou que a Secretaria municipak de Transporte (SMTR) verifique os problemas que estão ocorrendo com o Jaé.
Desde 2 de agosto, o Jaé substituiu o Riocard nos modais municipais no Rio — ônibus e vans municipais, BRT, VLT e cabritinho —, passando a ser o único aceito.
O que diz a prefeitura e o Jaé
Em nota, a Prefeitura do Rio afirma que cobra do Jaé “a solução para todas as queixas dos usuários em relação ao sistema de bilhetagem, principalmente, em relação aos problemas relativos aos créditos colocados no cartão”. Segundo o município, “em caso de erro, os valores serão devidamente ressarcidos”.
O texto destaca, ainda, as diferentes funcionalidades que o novo sistema de bilhetagem permite, sendo eles, “permitido que o usuário com saldo zerado no cartão faça uma viagem e, posteriormente, esse valor será debitado automaticamente na primeira recarga de créditos que realizar” e, em relação à integração, “o validador não exibe mais o ‘0,0’, como no sistema antigo — trata-se apenas de uma mudança de interface. Nos raros casos em que a integração não se concretiza, o estorno é realizado”.
“A Prefeitura do Rio ressalta que seu compromisso ao implementar o Jaé de levar transparência, conforto e comodidade ao usuário permanece”, finaliza a nota.
O Jaé, por sua vez, “esclarece que eventuais problemas dos usuários podem ser relatados nos canais de atendimento, onde os casos são devidamente apurados”. A empresa pontua ainda que o cartão “realiza todas as integrações do Bilhete Único Carioca” e que “queixas de não-integração são checadas”.
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'Resposta imbecil': passageiros reclamam de problemas no Jaé, e Paes critica posicionamento da empresa
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