A capital da Albânia viveu, neste sábado, confrontos violentos pelo quinto dia consecutivo, enquanto a polícia disparava balas de borracha contra manifestantes que exigiam a renúncia do primeiro-ministro Edi Rama e incendiavam edifícios.
Desde terça-feira, milhares de pessoas exigem, em Tirana, a renúncia de Rama e protestam contra as condições de estudo e as altas mensalidades universitárias.
Neste sábado, os manifestantes lançaram pedras, coquetéis molotov, objetos metálicos e artefatos pirotécnicos contra a polícia. Também incendiaram carros e contêineres de lixo para utilizá-los como barricadas e impedir o avanço das forças policiais.
A polícia disparou balas de borracha contra os manifestantes neste sábado, pela primeira vez desde o início dos protestos, segundo jornalistas da AFP que estavam no local.
Vários edifícios da cidade — incluindo uma sede do Judiciário, bancos e uma agência dos Correios — foram incendiados ou sofreram graves danos.
Ambulâncias foram vistas chegando para atender os feridos quando o protesto já durava dez horas.
O Ministério da Saúde informou à AFP que 35 pessoas ficaram feridas no sábado: 18 policiais e 17 manifestantes.
Os agentes também utilizaram jatos d’água, spray de pimenta e gás lacrimogêneo contra a multidão, deixando as ruas de Tirana cobertas por uma densa fumaça.
Paula, uma jovem que montou, junto com outras pessoas, um posto improvisado de primeiros socorros em um escritório de advocacia, declarou à AFP que três manifestantes haviam recebido atendimento por ferimentos na cabeça, nos olhos e nas pernas, supostamente causados por balas de borracha.
A legislação albanesa permite que a polícia utilize balas de borracha durante protestos apenas em casos extremos. “Entre os manifestantes, há menores de 16 e 17 anos”, afirmou à AFP Redi Taku, estudante de Educação Física.
O diretor da Polícia Estatal, Skender Hita, declarou em uma coletiva de imprensa que “as balas de borracha foram utilizadas de forma limitada”.
Ele também informou que, ao longo dos protestos desta semana, 167 pessoas foram detidas e foram iniciados procedimentos criminais contra outras 388.
Sete policiais foram suspensos e estão sendo submetidos a uma investigação disciplinar por abuso de autoridade.
Hita acrescentou que 132 agentes ficaram feridos e pediu que “aqueles que cometem esses atos de violência cessem imediatamente suas atividades ilegais”.
