O empresário paulista Sérgio Nahas, de 61 anos, foi preso no último sábado, mais de duas décadas após o assassinato de sua então mulher, a estilista Fernanda Orfali, morta aos 28 anos em 2002. Nahas foi localizado por câmeras de monitoramento e sistemas de reconhecimento facial em Praia do Forte, um dos destinos turísticos mais procurados do litoral baiano, onde estava hospedado em uma acomodação de luxo. A prisão foi mantida em audiência de custódia.
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Condenado definitivamente pelo crime, Nahas teve o nome incluído na difusão vermelha da Interpol após decisão judicial que determinou sua prisão. Em maio do ano passado, o Supremo Tribunal Federal confirmou a condenação do empresário, encerrando os recursos apresentados pela defesa.
Condenação e histórico judicial
Sérgio Nahas foi julgado 16 anos após o crime e condenado inicialmente a sete anos de prisão por homicídio simples. À época da morte de Fernanda Orfali, ainda não estavam em vigor a Lei Maria da Penha, de 2006, nem a Lei do Feminicídio, sancionada em 2015. Após recurso do Ministério Público, a pena foi elevada para oito anos e dois meses.
A defesa do empresário sustentou que Fernanda sofria de depressão e teria atentado contra a própria vida. Nahas respondeu ao processo em liberdade enquanto os recursos tramitavam em instâncias superiores. Com a confirmação da condenação pelo STF, a Justiça paulista determinou a expedição do mandado de prisão.
Em entrevista ao Estadão, a advogada Adriana Machado Abreu afirmou que o empresário passou a morar na Bahia no ano passado, alegando que ele enfrenta problemas graves de saúde e não teria intenção de se manter foragido.
No momento da prisão, segundo a Polícia Militar da Bahia, foram apreendidos 13 pinos de cocaína, três celulares e um veículo Audi. O caso foi registrado na delegacia local, e Nahas foi encaminhado à Polinter, responsável por presos procurados pela Justiça.
O assassinato de Fernanda Orfali
De acordo com a acusação, em 14 de setembro de 2002, Sérgio Nahas matou Fernanda Orfali com um tiro no peito dentro do apartamento do casal, localizado em Higienópolis, bairro nobre da região central de São Paulo. A investigação apontou que a vítima teria descoberto que o marido era usuário de drogas e mantinha relações extraconjugais, o que teria motivado conflitos e preocupações do empresário com uma eventual divisão de bens em caso de divórcio.
A arma utilizada no crime, sem registro, pertencia a Nahas. Ele chegou a ficar preso por 37 dias por posse ilegal de arma, mas foi solto e não voltou ao sistema prisional naquele momento. Em depoimento à polícia, afirmou ter ouvido um disparo vindo do closet e encontrado a mulher agonizando. Laudos da Polícia Científica, no entanto, não identificaram resíduos de pólvora nas mãos de Fernanda, o que contrariou a versão de suicídio apresentada pela defesa.

