Quem é Salvino Oliveira, vereador do Rio preso em operação contra o Comando Vermelho

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O vereador Salvino Oliveira (PSD), um dos mais jovens da casa legislativa do município, foi um dos principais alvos de uma operação realizada pela Polícia Civil do Rio na manhã desta quarta-feira (11). Preso em ação que investiga ações da facção Comando Vermelho na capital, o parlamentar é acusado de negociar com lideranças do grupo em troca de autorização dos criminosos para fazer campanha eleitoral na Gardênia Azul, Zona Sudoeste do Rio.

Salvino nasceu e cresceu em outra comunidade da região, a Cidade de Deus. Ele costumava apresentar a história de “superação” na comunidade como base da carreira política. Formado em Gestão Pública pela UFRJ e ex-aluno do Colégio Pedro II, o vereador afirma ter começado a trabalhar ainda bem jovem, como vendedor ambulante de balas e água em ônibus para ajudar a família.

Antes da Câmara, Salvino foi convidado por Paes a assumir secretaria da Juventude

Antes de ingressar na carreira pública, Salvino foi pesquisador do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (Cesec) e se aproximou de figuras políticas ligadas ao prefeito Eduardo Paes (PSD). A aproximação o levou a ser convidado pelo próprio alcaide carioca, em 2021, a assumir a então recém-criada Secretaria Especial da Juventude (JUVRio).

A pasta é dedicada a desenvolver e integrar políticas públicas para transformação social e inclusão de jovens cariocas. Salvino se tornou o secretário mais novo da prefeitura. À frente da JUVRio, ele participou da implementação de programas de qualificação profissional e incentivo à educação.

Nas eleições de 2024, ele decidiu trocar a pasta pela chance de garantir uma vaga na Câmara do Rio. Disputou as eleições pelo PSD e foi eleito com mais de 27 mil votos.

Durante o primeiro mandato, Salvino presidiu a Comissão de Educação e ficou conhecido por propor a polêmico regulamentação dos aluguéis de curta temporada no Rio, em plataformas como Airbnb. A iniciativa, que dividiu reações no Palácio Pedro Ernesto, prevê medidas como o cadastro de hóspedes, o pagamento de tributos (ISS) pelas plataformas e o licenciamento dos proprietários junto à prefeitura.

Vereador é acusado de negociar com Doca e oferecer quiosques para o CV

Salvino foi detido como parte da Operação Contenção Red Legacy, que mira a estrutura nacional do CV e esquemas de ligação com políticos e lavagem de dinheiro no Rio. A investigação aponta que o parlamentar teria, em troca de favores, firmado um acordo com um dos traficantes mais procurados do estado: Edgar Alves de Andrade — o “Doca”.

O vereador é acusado de pedir permissão para fazer campanha eleitoral em áreas dominadas pela facção na Gardênia Azul e, em troca, ter oferecido benefícios, que incluem a entrega de quiosques comerciais na região para a facção. Pessoas indicadas diretamente pelo crime organizado teriam assumido os pontos através do esquema.

De acordo com a polícia, as ações eram apresentadas por Salvino como projetos sociais para a população, mas serviam como fachada para consolidar o domínio territorial e financeiro da facção na comunidade.

Salvino nega as acusações e a defesa do vereador disse aguardar acesso oficial aos autos do processo para se manifestar sobre as acusações.

Além do vereador, cinco policiais militares foram detidos por suspeita de vazar informações estratégicas para os criminosos. Outros alvos seguem foragidos; entre eles, está a esposa do traficante Marcinho VP, Márcia Gama dos Santos Nepomuceno. Ela estaria, segundo as investigações, atuando como intermediária do traficante — que está preso — no comando de ações criminosas da facção.



Com informações da fonte
https://temporealrj.com/quem-salvino-oliveira-preso-cv/

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