A Corregedoria-Geral da Polícia Civil de Minas Gerais abriu um procedimento disciplinar e um inquérito policial para apurar a conduta da delegada Ana Paula Balbino Nogueira no caso de seu marido, René da Silva Nogueira Júnior. O empresário teve a prisão convertida em preventiva nesta quarta-feira durante audiência de custódia, em Minas Gerais. Ele é suspeito de matar a tiros o gari Laudemir de Souza Fernandes numa briga de trânsito em Belo Horizonte, na manhã desta terça.
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A polícia chegou ao autor dos disparos através do relato de testemunhas, que o reconheceram, e também das informações da placa do carro. Os agentes apreenderam ainda uma arma de Ana Paula, para analisar se os disparos foram feitos com ela.
Em depoimento, Ana Paula negou saber da participação do marido no crime. Por enquanto, sem nada que a vincule ao assassinato, a agente continuará em seu cargo.
A delegada ingressou na carreira em 2013 e é especialmente conhecida por sua atuação na Casa da Mulher Mineira, unidade especializada criada em 2022 para o atendimento a mulheres, crianças e adolescentes vítimas de violência doméstica, familiar e sexual.
Ana Paula se formou em Direito na Faculdade Milton Campos e se especializou em Direito Público no Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP). Ela também fez Mestrado Profissional em Promoção da Saúde e Prevenção de Violência na Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
Ela também atua como professora, palestrante e autora de obras jurídicas — escreveu, por exemplo, o livro intitulado “Violência Doméstica e Políticas Públicas de Enfrentamento”. Ana Paula já trabalhou como assessora de Articulação Interinstitucional da Polícia Civil junto à Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Minas Gerais.
Delegados detalham ação de empresário em crime
René foi embora de “forma tranquila” do local do crime, após efetuar os disparos, segundo os investigadores. Em entrevista coletiva nesta terça-feira, os agentes da Polícia Civil de Minas Gerais disseram que o suspeito foi para a academia e ainda passeou com os cachorros após o episódio.
— Ele relatou o dia dele, que saiu de casa às 8h07, contou do itinerário na empresa e o do almoço, onde ele retornou à casa dele. Teria trocado de roupa, desceu com os cachorros para passear com os cachorros e depois foi para a academia, onde foi abordado — contou o delegado Evandro Radaelli, afirmando ainda que o empresário negou qualquer participação no crime.
Segundo a polícia, mesmo alterado por conta da discussão, o empresário não mostrou desespero ou nervosismo após o assassinato. As afirmações dos delegados foram baseadas nos depoimentos colhidos com os garis:
— Todas as testemunhas foram uníssonas ao afirmar que o autor estava muito alterado. Eles pediram paciência para o autor, porque era uma rua estreita com carros estacionados dos dois lados, mas ele não quis esperar. Começou a esbravejar, a motorista manobrou o caminhão e pediram para ele passar. Ele passou, freou o carro bruscamente, voltou e deu um golpe na arma. O carregador caiu, ele reinseriu o carregador, apontou para a vítima, disparou e foi embora caminhando de forma tranquila, mas com aquele semblante de bravo — relatou o delegado Matheus Moraes Barros.
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O caso aconteceu nesta segunda-feira em Vista Alegre, no Oeste da capital mineira. O boletim de ocorrência aponta que René dirigia um carro da marca BYD quando, por volta das 9h, se aproximou de um caminhão de lixo, que vinha na direção contrária. O motorista do veículo teria ameaçado a condutora do caminhão e dito que iria “atirar na cara dela”, caso não desse passagem. Na sequência, ele teria disparado contra os garis e atingido Laudemir.
O gari foi atingido no peito. Ele chegou a ser levado para um hospital de Contagem, mas não resistiu aos ferimentos. O corpo foi levado ao Instituto Médico-Legal (IML), submetido a exames e, posteriormente, liberado aos familiares.
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René foi preso horas depois em uma academia de alto padrão do bairro Estoril. Ele foi encaminhado ao sistema prisional e vai responder pelos crimes de ameaça e homicídio qualificado, por motivo fútil e uso de recurso que dificultou ou impossibilitou a defesa da vítima.
O GLOBO ainda não conseguiu contato com a defesa de René. Pelo Instagram, o prefeito de BH prestou solidariedade à família do gari, que trabalhava para uma empresa terceirizada, a Localix Serviços Ambientais, que lamentou a perda e chamou o caso de “violência injustificável”.
2025-08-13 10:21:00