Quase 90% dos repasses do Fundo Estadual de Saúde em 2025 foram para cidades governadas por aliados do Cláudio Castro

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Um levantamento sobre a distribuição dos recursos do Fundo Estadual de Saúde do Rio de Janeiro (FES) mostra que, em 2025, a maior parte das transferências favoreceu municípios administrados por partidos aliados ao governador Cláudio Castro (PL).

Entre janeiro e outubro, 88% dos repasses transferidos diretamente aos fundos municipais de saúde foram destinados a cidades comandadas por PP, MDB, PL e União Brasil — legendas que formam a base política do Palácio Guanabara.

O PP, do ex-secretário de Saúde Dr. Luizinho, lidera os repasses, com R$ 719 milhões destinados a municípios sob o comando da legenda. Em seguida vêm o MDB, de Washington Reis, com R$ 543 milhões; o PL, partido do governador, com R$ 462 milhões; e o União Brasil, com R$ 190 milhões.

Juntos, esses quatro partidos concentraram quase nove em cada dez reais distribuídos aos municípios, sem incluir investimentos do estado em unidades próprias.

Baixada Fluminense recebe cinco vezes mais recursos por habitante que a capital

A distribuição partidária se reflete também na geografia dos repasses. Como a maioria dos aliados de Castro tem base política na Baixada Fluminense, a região acabou absorvendo boa parte dos recursos estaduais ao longo dos anos.

Os 13 municípios da região, com cerca de 3,8 milhões de habitantes, receberam R$ 6,2 bilhões em repasses estaduais para a saúde entre 2020 e 2025 — o equivalente a R$ 1.633 por morador. Em contrapartida, a cidade do Rio, com população de 6,7 milhões, recebeu R$ 2,2 bilhões, ou R$ 332 por habitante.

Na prática, isso significa que a Baixada teve, em média, cinco vezes mais recursos per capita do que a capital. Apesar de ter uma população 76% maior, o Rio ficou com 61% menos verbas no período. A cidade é administrada por Eduardo Paes (PSD), adversário político de Cláudio Castro e pré-candidato ao governo estadual em 2026.

Atualmente, a Prefeitura do Rio cobra na Justiça R$ 1,169 bilhão em repasses estaduais da área da saúde, distribuídos em 11 ações judiciais.

Autor do levantamento, o vereador Pedro Duarte (sem partido), criticou o que chamou de “uso político” da verba.

“Todas as regiões do estado merecem investimentos, mas os critérios não podem ser político-eleitoreiros, e sim técnicos. O problema não está em investir na Baixada ou em qualquer outra região, por exemplo, mas em fazer disso um instrumento de favorecimento político, enquanto a capital, com 6,7 milhões de habitantes, é penalizada por ter um prefeito adversário do governo estadual. Isso é inaceitável, ainda mais quando se trata da saúde da população”, afirmou Duarte.

Disputa pelas verbas da saúde já foi judicializada

A controvérsia sobre os critérios de distribuição do Fundo Estadual de Saúde já mobilizou o Ministério Público que, no ano passado, começou a exigir do governo estadual regras mais claras e maior transparência nas transferências. Embora a legislação determine parâmetros como população, perfil epidemiológico e capacidade instalada, não há detalhamento público sobre a forma como esses critérios são aplicados.



Com informações da fonte
https://temporealrj.com/distribuicao-recursos-saude-2025-castro/

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