PSOL pede ao MPRJ revisão de inquéritos arquivados na gestão de Rivaldo Barbosa na Polícia Civil do Rio

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Ex-chefe de Polícia Civil, Rivaldo Barbosa está preso e é acusado de ser o “mentor intelectual” do crime — Foto: Brenno Carvalho/05-07-2018


A passagem de Rivaldo Barbosa pelo comando da Polícia Civil do Rio é alvo de um pedido formal de revisão feito pela bancada do PSOL na Câmara dos Deputados ao Ministério Público do Estado do Rio (MP-RJ). Com apoio de parlamentares da Rede, o partido protocolou ofício solicitando a reavaliação de inquéritos de homicídio arquivados durante os períodos em que o delegado ocupou cargos de chefia na instituição, em 2018.

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O pedido ocorre após decisão da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal, que condenou Rivaldo Barbosa a 18 anos de prisão por corrupção passiva e obstrução de Justiça no caso do assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes. Ele foi absolvido da acusação de homicídio.

O ofício é encabeçado pelo deputado federal Tarcisio Motta e conta com a participação da vereadora Monica Benicio e de integrantes da bancada PSOL-Rede. No documento, os parlamentares argumentam que a condenação por corrupção e obstrução compromete a integridade dos procedimentos investigativos conduzidos sob a gestão do ex-chefe da Polícia Civil.

Segundo o voto do relator no STF, ministro Alexandre de Moraes, há “farta prova” de que Rivaldo Barbosa recebia propina e atuava para direcionar investigações, garantindo impunidade a grupos criminosos, incluindo milícias. Conforme o entendimento apresentado no julgamento, o delegado teria utilizado posições estratégicas — como a titularidade da Delegacia de Homicídios da Capital e a Chefia de Polícia, exercida entre março e dezembro de 2018 — para interferir em apurações criminais e obstruir investigações de assassinatos no estado.

Para os parlamentares, a atuação de uma autoridade policial posteriormente condenada por corrupção pode comprometer a validade dos procedimentos conduzidos sob sua responsabilidade, podendo inclusive configurar nulidade absoluta de processos. Eles também destacam que eventual interferência indevida pode ter quebrado a cadeia de custódia das provas, afetando a confiabilidade de investigações conduzidas ou arquivadas naquele período.

No ofício, a bancada solicita:

  • o levantamento e desarquivamento de todos os inquéritos de homicídio relatados ou arquivados sob gestão ou influência direta de Rivaldo Barbosa;
  • prioridade na revisão de casos envolvendo milícias, agentes públicos e organizações criminosas;
  • apuração de eventuais irregularidades e desvios de finalidade nos arquivamentos realizados.

Quase oito anos após os assassinatos, a Primeira Turma do STF condenou cinco réus no caso.Foram condenados por organização criminosa e homicídios:

  • Chiquinho Brazão: 76 anos e 3 meses de prisão, além de 200 dias-multa (com dois salários mínimos por dia);
  • Domingos Brazão: 76 anos e 3 meses de prisão, além de 200 dias-multa (com dois salários mínimos por dia).
  • Robson Calixto da Fonseca, o Peixe: 9 anos de prisão e 200 dias-multa (com um salário mínimo por dia), por organização criminosa armada;
  • Ronald Paulo Alves Pereira: 56 anos de prisão, pelos homicídios;
  • Rivaldo Barbosa: 18 anos de prisão, além de 360 dias-multa (com um salário mínimo por dia), por obstrução de Justiça e corrupção passiva.

A decisão que condenou Rivaldo por obstrução e corrupção é o fundamento central do pedido apresentado pela bancada do PSOL-Rede para que o Ministério Público reavalie investigações arquivadas sob sua gestão na Polícia Civil do Rio.



Com informações da fonte
https://oglobo.globo.com/rio/noticia/2026/02/26/psol-pede-ao-mprj-revisao-de-inqueritos-arquivados-na-gestao-de-rivaldo-barbosa-na-policia-civil-do-rio.ghtml

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